A Justiça Federal de Dourados determinou nesta quinta-feira (30) que a Polícia Militar deixe imediatamente a Fazenda Ipuitã, em Caarapó (MS), onde ocorre conflito entre fazendeiros e indígenas Guarani-Kaiowá. No lugar da PM, deverão atuar equipes da Força Nacional de Segurança Pública ou da Polícia Federal.
A decisão é do desembargador Cotrim Guimarães, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que também revogou uma medida anterior, tomada na terça-feira (28), que mantinha a presença da PM no local. O magistrado confirmou ainda que cabe à Justiça Federal de Dourados conduzir o processo de reintegração de posse solicitado pela proprietária e pela empresa arrendatária da fazenda.
De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), desde o início do conflito, no sábado (25), lideranças Guarani-Kaiowá relataram quatro ataques contra a retomada da Terra Indígena Guyraroká.
A Procuradoria-Geral da União, que representa a Funai, informou que a União acompanha o caso. O presidente da Comissão Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, Leador Machado, afirmou que a retirada da PM será imediata e que poderá ir a Caarapó nesta sexta-feira (31) para dialogar com as comunidades indígenas.
O conflito começou no sábado (25), quando cerca de 30 indígenas ocuparam a Fazenda Ipuitã, incendiaram um trator e a sede da propriedade. O grupo deixou o local no mesmo dia, segundo o Cimi, e ninguém ficou ferido.
A fazenda fica próxima a uma aldeia Guarani-Kaiowá e parte do território é reconhecida como Terra Indígena Guyraroká. A área onde está a propriedade ainda passa por processo de demarcação. Enquanto os indígenas reivindicam o local como território ancestral, os fazendeiros afirmam se tratar de uma área privada. (G1)