Sábado, 18 de abril de 2026

Trump põe em prática quase metade do “Projeto 2025” em apenas nove meses

Plano ultraconservador concentra poder nas mãos do presidente, restringe direitos, desmonta políticas ambientais e preocupa analistas que alertam para risco à democracia nos EUA.
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Em apenas nove meses de governo, Donald Trump colocou em ação 47% do chamado Projeto 2025, um plano ultraconservador criado por grupos de direita antes mesmo de sua candidatura. O levantamento é do Centro para a Reforma Progressista, que aponta a rápida implementação de medidas que ampliam o poder presidencial, endurecem a imigração e enfraquecem políticas ambientais e sociais.

O Projeto 2025 foi elaborado pela Fundação Heritage e por mais de 350 líderes conservadores. O plano, com mais de 900 páginas, reúne 532 propostas para transformar o governo americano. Entre as metas estão a centralização de poder, o combate ao que chamam de “agenda woke” (voltada à diversidade e inclusão) e o fim de programas ambientais.

De acordo com o estudo, Trump já iniciou ou concluiu 251 dessas medidas. Ele tem governado principalmente por ordens executivas — decretos que dispensam o aval do Congresso. Entre as principais ações estão:

  • Expansão do poder presidencial: uso de decretos para impor tarifas e mudar leis de imigração.
  • Deportações em massa: prisões até em locais protegidos, como escolas e igrejas.
  • Perseguição a rivais políticos: uso do Departamento de Justiça contra opositores.
  • Cortes ambientais: saída do Acordo de Paris e liberação da exploração de petróleo.
  • Fim de políticas inclusivas: retirada de termos LGBTQIA+ de sites oficiais e extinção de programas de diversidade.

Russell Vought, ex-diretor do Escritório de Gestão e Orçamento e um dos autores do plano, tem papel central nessa agenda. Sob sua liderança, o órgão executou mais de 60% das propostas do Projeto 2025, como cortes de gastos, demissões em massa e enfraquecimento de agências públicas.

Especialistas alertam que as medidas colocam a democracia americana em risco. Para James Goodwin, do Centro para a Reforma Progressista, o governo Trump tem explorado “atalhos ilegais” e reduzido o controle do Congresso sobre a presidência.

Já o pesquisador Uriã Fancelli afirma que o plano “transforma o Estado em instrumento pessoal de Trump”, enfraquecendo instituições e intimidando opositores. Segundo ele, o país caminha “de uma erosão democrática para um possível colapso institucional”.

Mesmo durante a campanha de 2024, Trump tentou se afastar publicamente do Projeto 2025 devido à rejeição popular, mas após a vitória voltou a adotar suas diretrizes, reforçando o caráter centralizador e autoritário do governo.

O estudo conclui que, caso o ritmo atual continue, Trump pode concluir a totalidade do plano até o fim de 2026 — um cenário que, segundo analistas, colocaria em xeque os fundamentos democráticos dos Estados Unidos. (G1)

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