Metade das operações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) contra prefeituras em 2025 envolve esquemas de corrupção na Saúde e na Educação. A mais recente, a Operação Dirty Pix, descobriu o desvio de R$ 5,4 milhões no hospital beneficente de Sidrolândia.
As equipes do Gecoc cumpriram 18 mandados de busca em Sidrolândia e Manaus. Entre os investigados estão cinco vereadores, ex-vereadores, dois secretários e a vice-prefeita Cristina Fiuza (MDB). Segundo o MP, parte dos recursos enviados pelo governo do Estado para comprar um aparelho de ressonância magnética e um autoclave foi desviada em parceria com a empresa Pharbox, que também teria pago propina a parlamentares por meio de transferências via Pix.
Saúde
A área da Saúde já tinha sido foco de outra grande investigação este ano. Em julho, a Operação Auditus identificou fraudes em licitações para contratação de serviços médicos em Nioaque, Bonito e Jardim. O prejuízo estimado é de R$ 3 milhões entre 2019 e 2024. Uma das investigadas é a ex-secretária de Saúde de Nioaque, Márcia Jara, que ocupou o cargo sem formação na área.
Educação
Na Educação, a Operação Malebolge, deflagrada em fevereiro, revelou um esquema de empresas que pagavam propina para manipular licitações em Água Clara e Rochedo. Os contratos fraudados passam de R$ 10 milhões. Duas servidoras da Secretaria Municipal de Educação foram presas.
Em abril, a Operação Backstage investigou irregularidades em contratos da prefeitura de Três Lagoas. A empresa responsável por eventos venceu 10 licitações entre 2022 e 2024, somando quase R$ 9 milhões — muitos deles ligados à Secretaria de Educação e Cultura.
Em outubro, a Operação Copertura descobriu fraudes em Miranda envolvendo kits escolares e gêneros alimentícios, com um esquema que funcionava há cinco anos.
Operações anteriores deram origem às atuais
A Operação Turn Off, feita em 2023 e 2024, abriu caminho para várias operações recentes. Ela identificou fraudes de mais de R$ 60 milhões envolvendo contratos da Secretaria Estadual de Educação, da Secretaria Estadual de Saúde e da Apae de Campo Grande.
Panorama geral
Somente em 2025, o MPMS já deflagrou 10 operações contra 12 municípios, envolvendo contratos de saúde, educação, publicidade, engenharia, pavimentação, informática e obras. Coxim, Aquidauana, Itaporã e Terenos estão entre as cidades investigadas.
Cronologia das operações de 2025
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Janeiro: Ad Blocker – fraude em contrato de publicidade (Aquidauana)
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Fevereiro: Malebolge – fraude na Educação (Água Clara e Rochedo)
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Abril: Backstage – irregularidades em eventos ligados à Educação (Três Lagoas)
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Maio: Grilagem de Papel (2ª fase) – disputa por terras (Coxim)
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Junho: Tromper (4ª fase) – fraude em contratos de engenharia (Sidrolândia)
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Julho: Auditus – fraude na Saúde (Nioaque)
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Setembro: Spotless – fraude em obras (Terenos)
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Outubro: Copertura – fraudes em compras (Miranda)
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Outubro: Fake Cloud – fraude em contratos de tecnologia (Itaporã)
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Novembro: Dirty Pix – desvio no hospital de Sidrolândia
(Correio do Estado).