A falta de medicamentos nas unidades de saúde, a crise envolvendo a Santa Casa e outros problemas estruturais levaram o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a considerar a possibilidade de solicitar uma intervenção na Saúde de Campo Grande.

A informação foi confirmada pelo procurador-geral de Justiça, Romão Avila Milhan Júnior, durante encontro com a imprensa. Segundo ele, a prioridade do MP é buscar uma solução consensual entre o Ministério Público, a Prefeitura da Capital e o Governo do Estado. No entanto, caso não haja avanços, medidas mais severas poderão ser adotadas, inclusive com pedido judicial.

“Nós já recebemos representações que tratam de uma eventual intervenção do Estado na Saúde do Município de Campo Grande. Essa possibilidade está sendo discutida. O próprio município tenta evitar que se chegue a esse ponto. Nossa busca é por soluções consensuais, porque não adianta apenas transferir os problemas para o Judiciário”, afirmou Milhan Júnior.

O procurador destacou ainda que a situação da Saúde da Capital é acompanhada de forma constante pelo MPMS, com cobranças diárias das promotorias que atuam na área. Atualmente, a gestão da Saúde municipal está sob responsabilidade de um comitê gestor, criado após a demissão da ex-secretária Rosana Leite, em setembro deste ano. O grupo deve permanecer à frente da pasta até março de 2026.

Entre os principais problemas identificados está a falta de medicamentos básicos, inclusive em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Unidades Básicas de Saúde (UBSs). De acordo com o procurador-geral, chegou ao conhecimento do MPMS a ausência até mesmo de dipirona, medicamento essencial no atendimento de urgência e emergência.

“A falta de medicamentos é um cenário que nos assusta. A prefeita se comprometeu a apresentar um cronograma de abastecimento em curto prazo. Houve uma aquisição recente, e agora aguardamos esse planejamento para garantir o fornecimento regular de medicamentos e insumos”, explicou.

Crise na Santa Casa

A situação da Santa Casa de Campo Grande também preocupa o Ministério Público. Na semana passada, cerca de 30% dos funcionários do hospital paralisaram parcialmente as atividades devido ao atraso no pagamento do 13º salário. Aproximadamente 1.200 trabalhadores dos setores de enfermagem, limpeza e copa aderiram à paralisação.

O atendimento foi normalizado na véspera de Natal, após o pagamento de 50% do valor devido. A outra metade será quitada no dia 10 de janeiro de 2026. Já as lideranças do hospital receberão o pagamento integral na mesma data.

Além disso, a Santa Casa enfrenta déficit financeiro e chegou a suspender 15 especialidades ligadas a procedimentos eletivos. Médicos que atuam na instituição também denunciaram suposta pressão da direção para que entrassem em greve, conforme nota divulgada pelo Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS).

Diante desse cenário, o MPMS segue acompanhando de perto a situação da Saúde de Campo Grande e não descarta a adoção de medidas mais rigorosas caso os problemas persistam. (correiodoestado.com.br).

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