A denúncia de um procedimento estético malfeito em uma suposta clínica de Campo Grande, às vésperas do réveillon, ganhou novos desdobramentos após outras vítimas e profissionais da área procurarem a reportagem para relatar experiências semelhantes. Apesar da gravidade dos relatos, nenhuma das pessoas ouvidas afirmou ter registrado boletim de ocorrência na Polícia Civil, o que poderia resultar na abertura de investigação formal contra a profissional responsável.

O caso veio à tona após uma publicação na página “Aonde Não Ir em Campo Grande – MS”, nas redes sociais. No relato, uma mulher afirma ter realizado um procedimento com ácido hialurônico e contraído uma bactéria do tipo Pseudomonas, conhecida pela resistência a medicamentos.

“Fiquei internada por oito dias para tratamento. Tive gastos enormes e continuo com sequelas no rosto”, afirmou a suposta paciente em trecho da postagem, que rapidamente alcançou milhares de visualizações e comentários.

Segundo o relato, a responsável pelo procedimento seria a profissional identificada como Luana, que, de acordo com a denunciante, não teria custeado integralmente o tratamento nem devolvido o valor pago. A postagem foi feita como alerta a possíveis novos clientes.

“Tive que assinar um termo”, diz outra vítima

À reportagem, um homem afirmou que também realizou procedimento com a mesma profissional e sofreu necrose em uma região do corpo. Segundo ele, para receber parte do valor pago de volta, foi obrigado a assinar um documento.

“No termo estava escrito que eu concordava com tudo e que estava ciente dos erros e danos causados, então não poderia entrar judicialmente ou de outra forma legal contra ela. Precisávamos do dinheiro para pagar o tratamento médico”, relatou.

Outra mulher contou que esteve na clínica em fevereiro de 2025 e também teve complicações após um procedimento. “Passei mal, precisei ir para a UPA, tomar medicação e até injeção. Pensei em registrar boletim de ocorrência, mas acabei não fazendo. Depois disso, nunca mais quis saber de procedimento estético”, afirmou.

Profissional aponta “despreparo” e possíveis irregularidades

Além das vítimas, uma profissional da área de estética entrou em contato com a reportagem para avaliar vídeos divulgados pela própria clínica nas redes sociais. Segundo ela, as imagens demonstrariam falta de preparo técnico e possíveis irregularidades sanitárias.

“É nítido o despreparo e a falta de conhecimento. Denunciar ao Conselho Regional de Odontologia (CRO) muitas vezes não resolve, e ela continua prejudicando toda uma classe de profissionais”, afirmou.

A profissional também alegou que, pelas imagens publicadas, seria possível identificar seringas com ar, o que indicaria possível adulteração de produtos. “Essas seringas nunca vêm assim de fábrica. Há indícios de reutilização e uso de preenchedores sem registro na Anvisa, possivelmente adquiridos no Paraguai. Isso explica o risco elevado de contaminação”, avaliou.

Autoridades ainda não se manifestaram

A reportagem tentou contato com o Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso do Sul (CRO-MS), mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. A profissional citada também foi procurada por meio do telefone divulgado publicamente, sem sucesso.

O espaço segue aberto para manifestação da profissional e dos órgãos competentes. (midiamax.com.br).

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