A Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apuram um suposto esquema de corrupção envolvendo recursos públicos destinados a shows artísticos no Paraná. As investigações, que correm sob sigilo, já atingiram ao menos 89 prefeitos, mas podem alcançar um número ainda maior de deputados estaduais e federais, vereadores, promotores de eventos e artistas.

De acordo com informações apuradas por órgãos de controle, como a PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Tribunal de Contas, há suspeita de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares federais e estaduais. Parte desse dinheiro teria sido repassada a prefeituras para a realização de eventos e shows, mas com indícios de retorno financeiro ilegal a agentes públicos.

Suspeita de “rachadinha” nas emendas

Segundo as apurações, o possível esquema funcionaria por meio de um acordo entre parlamentares e prefeitos. Deputados destinariam emendas para os municípios e, em troca, exigiriam uma porcentagem dos valores, prática conhecida como “rachadinha”. As investigações apontam que essa parcela poderia chegar a até 25% do total repassado.

Os recursos investigados fazem parte do grande volume de verbas que parlamentares têm à disposição para indicar onde e como serão aplicadas, o que, segundo investigadores, acabou ampliando os riscos de irregularidades diante da fiscalização limitada.

Shows chamaram atenção dos investigadores

O esquema começou a ser desvendado após análises sobre o destino de milhões de reais enviados a municípios das regiões sudoeste e oeste do Paraná. Um dos pontos que despertou suspeitas foi a destinação de emendas milionárias para a contratação de shows artísticos, prática permitida pela legislação atual.

Para os investigadores, esse modelo teria sido explorado para facilitar desvios, inflar contratos e permitir o retorno de parte dos recursos a agentes públicos e intermediários.

Investigações seguem em andamento

As autoridades tratam o caso como uma das maiores investigações de corrupção já abertas no Paraná, com potencial de revelar um esquema de grandes proporções. Até o momento, não há condenações, e todos os citados têm direito à ampla defesa.

As investigações seguem sob sigilo, e novas fases não estão descartadas.

Fonte: Jornal de Apucarana

 

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