Quinta-feira, 30 de abril de 2026

Polícia e MP investigam suspeita de corrupção em agência de habitação

Servidor teria cobrado dinheiro para prometer regularização de imóvel em Campo Grande MS
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A Polícia Civil e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investigam um esquema de corrupção envolvendo a Agência Municipal de Habitação (Emha), em Campo Grande. A apuração envolve a suspeita de que um servidor teria cobrado dinheiro de um morador para prometer a regularização de um imóvel.

O caso veio à tona após o registro de um boletim de ocorrência, em agosto de 2025. A vítima, um homem de 55 anos, procurou a Emha em junho de 2024 para obter informações sobre a regularização da casa da mãe, adquirida por meio da agência.

Cobrança começou em R$ 10 mil

Segundo o relato, após ser atendido na recepção, o morador foi encaminhado a uma sala interna, onde conversou com um homem que se apresentou como servidor da Emha e se ofereceu para resolver o processo.

Inicialmente, o valor cobrado para a regularização teria sido R$ 10 mil. Após a recusa da vítima, o montante foi reduzido para R$ 4 mil, dividido em parcelas. Os pagamentos foram feitos por meio de transferências via Pix diretamente para a conta do suspeito.

Durante esse período, a vítima afirma que era orientada a comparecer à agência para cumprir etapas do suposto processo, enquanto recebia informações de que a regularização estava avançando.

Processo estava parado

Após quitar o valor combinado, o morador passou a cobrar explicações sobre a conclusão do serviço. Em agosto de 2025, ao procurar outro funcionário da Emha, descobriu que o processo do imóvel não havia sido analisado e permanecia parado, o que contradizia as informações recebidas.

Ao ser questionado, o suspeito alegou que o serviço era legal e afirmou que não devolveria o dinheiro. A vítima também relatou ter descoberto que o homem já havia sido exonerado da Emha meses antes e que poderia haver outras pessoas lesadas da mesma forma.

Investigação criminal e civil

A Polícia Civil classificou o caso como corrupção passiva, crime previsto no Código Penal, que ocorre quando um agente público solicita ou recebe vantagem indevida em razão da função. Um inquérito policial foi instaurado em novembro de 2025.

Além disso, o MPMS abriu um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades envolvendo servidores da antiga Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Amhasf), atual Emha, e eventual omissão do poder público.

Caso segue sob sigilo

O processo tramita em segredo de justiça e é conduzido pela 30ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande. Procurada, a Emha não se manifestou sobre o caso até o fechamento da reportagem. (correiodoestado.com.br).

 

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