Quinta-feira, 9 de abril de 2026

Fundos públicos vão destinar R$ 6,4 bilhões aos partidos em ano eleitoral

Recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral atingem maior volume da história
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Os partidos políticos brasileiros vão movimentar R$ 6,4 bilhões em recursos públicos em 2026, ano de eleições. O valor é o maior já registrado desde 2015 e está previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Do total, R$ 1,3 bilhão será destinado ao Fundo Partidário, que financia o funcionamento das legendas, e R$ 5,1 bilhões irão para o Fundo Eleitoral, usado exclusivamente para campanhas.

Ao todo, 30 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terão direito aos recursos.

Vantagem para quem já tem mandato

Especialistas apontam que o alto volume de dinheiro público tende a favorecer partidos maiores e políticos que já ocupam cargos eletivos. Com mais recursos disponíveis, essas legendas conseguem ampliar sua presença nas campanhas, o que dificulta a renovação política e reduz a competitividade entre candidatos.

Na prática, a combinação dos dois fundos funciona como um financiamento indireto das campanhas, fortalecendo quem já está no poder e ampliando desigualdades dentro das próprias siglas.

Mais recursos que ministérios

Em 2026, o valor concentrado pelos partidos será superior ao orçamento somado de oito ministérios, o que reforça o peso financeiro das legendas no cenário político nacional.

O Fundo Partidário é repassado todos os anos e pode ser usado para despesas administrativas, como salários, aluguel de sedes, serviços jurídicos e manutenção dos diretórios.

Já o Fundo Eleitoral é distribuído apenas em anos de eleição. Ele foi criado em 2017 para substituir as doações de empresas, proibidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015, após os desdobramentos da Operação Lava Jato.

Distribuição desigual dos recursos

Mesmo com regras formais de divisão, a maior parte do dinheiro costuma ficar com candidatos considerados mais competitivos, o que gera concentração de recursos e amplia desigualdades internas nos partidos.

Esse cenário, segundo analistas, cria um ambiente pouco favorável à renovação política e pode impactar diretamente o equilíbrio das disputas eleitorais de outubro. (correiodoestado.com.br).

 

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