O Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul identificou mais de 4 mil casos de fraudes no sistema de veículos entre os anos de 2020 e 2024. As irregularidades estão sendo investigadas pela Polícia Civil e apontam a atuação de uma possível organização criminosa dentro do órgão.
Segundo a Corregedoria do Detran-MS, foi realizada uma força-tarefa para apurar alterações irregulares no cadastro de veículos. A maioria das fraudes estaria relacionada à inclusão indevida do chamado quarto eixo, alteração que pode gerar vantagens ilegais em registros e taxas.
De acordo com o corregedor-geral, delegado Odorico Ribeiro de Mendonça e Mesquita, todos os casos em que foram identificados indícios de crime foram encaminhados para investigação da Polícia Civil.
Ele afirmou ainda que há participação de várias pessoas no esquema, mas não detalhou quantos servidores públicos estariam envolvidos. A Corregedoria atua na parte administrativa, enquanto a Polícia Civil conduz as investigações criminais.
Operações e investigações
Nos últimos anos, diversas operações policiais foram realizadas para combater fraudes e corrupção no Detran-MS, entre elas Miríade, Resfriamento, Gravame e Quarto Eixo.
O caso já havia sido denunciado anteriormente e, segundo investigações, o esquema envolvia despachantes, servidores e possíveis conexões políticas.
Um dos nomes citados é o do despachante David Chita, que foi preso e responde a processos por supostas fraudes no sistema. Ele chegou a afirmar que havia participação de figuras políticas no esquema, mas as investigações seguem em andamento.
Também foi apontada a participação de uma ex-servidora comissionada da corregedoria como elo entre integrantes da organização criminosa.
Suspeita de blindagem
Relatórios da Polícia Civil também indicam possível blindagem dentro do próprio Detran-MS. Segundo as apurações, procedimentos internos investigavam apenas funcionários de nível operacional, dificultando o avanço sobre possíveis responsáveis de maior influência.
A polícia apura se houve omissão e tratamento das irregularidades apenas como falhas administrativas, quando poderiam configurar crimes mais graves ligados à corrupção e organização criminosa. (midiamax.com.br).