Os acidentes de trânsito continuam causando impacto pesado na saúde pública de Campo Grande. Somente em 2025, a Santa Casa gastou mais de R$ 23,6 milhões do Sistema Único de Saúde (SUS) com cirurgias de vítimas do trânsito.
Segundo dados do hospital, o custo médio por paciente ficou em torno de R$ 15 mil. O número representa aproximadamente 1,5 mil atendimentos ao longo do ano, média de quatro vítimas por dia.
A Santa Casa é o único hospital da Capital especializado em cirurgia de trauma, área responsável pelo atendimento de pacientes com ferimentos graves provocados por acidentes, quedas e violência.
O médico emergencista Rodrigo Quadros, coordenador da residência em Medicina de Emergência da unidade, explicou que o atendimento começa ainda na sala de estabilização, onde a equipe segue protocolos para salvar a vida do paciente.
“Primeiro, a equipe controla sangramentos, faz suporte respiratório e outros procedimentos de urgência. Depois da estabilização, o paciente é encaminhado para avaliação cirúrgica, quando necessário”, explicou.
Entre os casos mais comuns estão fraturas em braços e pernas, principalmente no fêmur. Também chegam pacientes com lesões graves, como traumatismo craniano e trauma no tórax, que podem comprometer a respiração.
O tempo de internação varia conforme a gravidade. Pacientes com ferimentos leves costumam receber alta em poucos dias. Já os casos mais graves podem permanecer internados por até dois meses ou mais.
Além dos altos custos, os acidentes também refletem nos índices de mortes no trânsito. Dados da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) mostram que, das 23 mortes registradas neste ano em Campo Grande, nove ocorreram na Santa Casa ou durante atendimento médico.
No ano passado, foram 58 mortes no trânsito da Capital, sendo 24 delas registradas após o socorro hospitalar. O levantamento considera vítimas que morreram até 30 dias depois do acidente.