A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente nesta quinta-feira (11) o início do fenômeno El Niño. Após meses de monitoramento, o órgão informou que as condições do oceano e da atmosfera já demonstram a atuação completa do fenômeno, encerrando a fase de observação e declarando o evento em curso.
De acordo com os especialistas, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial já está influenciando a circulação atmosférica, característica que confirma a presença do El Niño. As projeções indicam que o fenômeno deverá permanecer ativo até pelo menos o verão de 2027.
Fenômeno pode atingir intensidade histórica
A NOAA destaca que existe 63% de chance de o El Niño alcançar a categoria de “muito forte” entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Caso a previsão se confirme, o evento poderá entrar para a lista dos mais intensos já registrados desde 1950, ao lado dos episódios históricos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.
Os modelos climáticos apontam um fortalecimento gradual ao longo do segundo semestre deste ano, com pico esperado durante a primavera e o verão do Hemisfério Sul.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aumento da temperatura altera os padrões de circulação da atmosfera e influencia o comportamento do clima em várias regiões do planeta, incluindo o Brasil.
Para que o fenômeno seja oficialmente reconhecido, não basta apenas o oceano estar mais quente. É necessário que a atmosfera também apresente mudanças compatíveis com esse aquecimento, formando o chamado acoplamento oceano-atmosfera.
Possíveis impactos no Brasil
Embora ainda seja cedo para definir os efeitos exatos em cada região do país, os padrões observados em eventos anteriores indicam algumas tendências:
- Chuvas acima da média na Região Sul;
- Maior risco de temporais e eventos extremos no Sul;
- Menos chuva e temperaturas mais elevadas no Norte e em áreas do Nordeste;
- Calor acima da média em grande parte do território nacional.
Meteorologistas ressaltam que a intensidade do El Niño não determina automaticamente seus impactos. Outros fatores climáticos também influenciam o comportamento do tempo e podem modificar os efeitos esperados.
Quando os efeitos devem ser sentidos?
Segundo a NOAA, os reflexos do fenômeno sobre a América do Sul devem se tornar mais evidentes a partir da primavera de 2026. O período de maior influência está previsto entre outubro de 2026 e março de 2027, quando o aquecimento do Pacífico deverá atingir seus níveis mais elevados.
Até lá, centros meteorológicos continuarão acompanhando a evolução do fenômeno para atualizar as previsões e avaliar seus possíveis impactos sobre o clima brasileiro.