Mato Grosso do Sul está vivendo uma nova fase na produção de milho. Em pouco mais de quatro safras, o Estado passou de nenhuma usina de etanol de milho em funcionamento para três unidades em operação, além de uma quarta em implantação.
O crescimento da indústria está mudando a forma como o milho produzido em MS é comercializado. Além da exportação e das fábricas de ração, os produtores passaram a contar com usinas instaladas dentro do próprio Estado como compradores do grão.
Segundo estudo da Aprosoja/MS, na safra 2024/2025 foram cultivados mais de 2 milhões de hectares de milho, com produção de aproximadamente 13,9 milhões de toneladas. Cerca de 2 milhões de toneladas foram destinadas à exportação.
MS já é o segundo maior produtor de etanol de milho
A expansão das usinas colocou Mato Grosso do Sul entre os principais produtores brasileiros de etanol de milho. Para a safra 2025/2026, a estimativa é de aproximadamente 2,1 bilhões de litros, o equivalente a cerca de 20,9% da produção nacional.
Atualmente, estão em funcionamento unidades da Inpasa, em Dourados e Sidrolândia, e da Neomille CerradinhoBio, em Maracaju.
Em Nova Alvorada do Sul, a Atvos Santa Luzia está implantando uma estrutura que deverá combinar a produção de etanol de cana e de milho.
Mais uma opção para o produtor
Antes da expansão das usinas, o milho produzido na segunda safra tinha como principais destinos a exportação e as fábricas de ração.
Com as novas indústrias, surgiu uma alternativa dentro do próprio Estado. A proximidade entre produtores e usinas também pode reduzir a necessidade de transportar o milho por longas distâncias, diminuindo parte dos custos logísticos.
Esse fator ganha importância porque grande parte da produção agrícola de Mato Grosso do Sul é transportada pelas rodovias.
O milho movimenta uma cadeia maior
As usinas não produzem apenas etanol. O processamento do milho também gera DDG ou DDGS, óleo de milho e CO₂ industrial.
O DDG é utilizado principalmente na alimentação de bovinos, aves e suínos. Já o óleo pode ser destinado ao biodiesel, à alimentação animal e à indústria de alimentos. O CO₂ também possui aplicações industriais, inclusive no setor de bebidas.
O aproveitamento de diferentes produtos faz com que o milho gere atividade econômica em vários segmentos.
DDG ganha espaço nas exportações
Outro destaque é o crescimento das exportações de DDG. Em 2025, Mato Grosso do Sul produziu aproximadamente 1,4 milhão de toneladas do produto, sendo cerca de 1,15 milhão de toneladas exportadas.
Entre os destinos estiveram países como Nova Zelândia, Turquia e Vietnã. O Estado também registrou os primeiros embarques para a China em uma operação conjunta com Mato Grosso.
Novas usinas também geram empregos
A expansão da indústria movimenta não apenas o campo, mas também setores como transporte, armazenagem, manutenção e fornecimento de serviços.
A construção da nova unidade da Atvos, em Nova Alvorada do Sul, deve envolver aproximadamente 2 mil trabalhadores. Em Maracaju, a unidade em operação reúne cerca de 150 empregos diretos e 600 indiretos.
Infraestrutura será fundamental
Com o aumento da produção e do processamento, a logística passa a ter ainda mais importância.
A Rota Bioceânica é apontada no estudo da Aprosoja/MS como uma alternativa para ampliar o acesso de Mato Grosso do Sul aos mercados internacionais, especialmente por meio dos portos do Pacífico, no Chile.
Ao mesmo tempo, o crescimento do setor aumenta a necessidade de investimentos em rodovias, ferrovias e hidrovias.
Mais usinas, maior demanda por milho
A expansão da indústria também aumenta a demanda pelo grão. As usinas de etanol passam a disputar a matéria-prima com fábricas de ração e outros compradores.
Por isso, o aumento da produtividade e da oferta de milho será um dos pontos importantes para acompanhar o crescimento da capacidade industrial.
Com novos investimentos previstos, Mato Grosso do Sul amplia sua participação não apenas na produção de milho, mas também na transformação do grão em combustível, alimentos para animais, óleo e outros produtos.
Na prática, o Estado está deixando de ser apenas produtor de milho e avançando também na industrialização da própria produção.