Sábado, 3 de outubro de 2026

Carne brasileira enfrenta tarifa de 67% para entrar na China

Cota de exportação para 2026 foi atingida, elevando a cobrança e aumentando a preocupação de frigoríficos e pecuaristas
abates-bovinos

A carne bovina brasileira passou a enfrentar uma tarifa total de 67% para entrar no mercado chinês a partir desta quinta-feira (1º). A cobrança é formada pela tarifa regular de 12% mais uma sobretaxa de 55%, aplicada após o Brasil atingir o limite de exportações estabelecido pela China para 2026.

A cota deste ano foi fixada em 1,106 milhão de toneladas e já foi totalmente utilizada. Para 2027, o limite será um pouco maior, chegando a 1,128 milhão de toneladas.

Setor busca alternativas

A China é atualmente o principal destino da carne bovina brasileira. Por isso, a nova tarifa preocupa produtores e frigoríficos, que avaliam estratégias para aproveitar rapidamente a cota disponível no próximo ano.

Uma das possibilidades discutidas pelo setor é antecipar os abates e os embarques. A ideia é realizar parte dos abates ainda em outubro, embarcar a carne em novembro e fazer com que os produtos cheguem ao mercado chinês em janeiro de 2027.

O transporte marítimo entre Brasil e China leva, em média, 40 a 45 dias.

China ganhou importância para a carne brasileira

A participação chinesa nas exportações brasileiras cresceu fortemente na última década. Entre 2016 e 2025, o Brasil enviou cerca de 8,2 milhões de toneladas de carne bovina para a China, movimentando aproximadamente US$ 42,3 bilhões.

O volume exportado passou de 164,9 mil toneladas em 2016 para cerca de 1,6 milhão de toneladas em 2025.

Essa forte dependência do mercado chinês aumenta a preocupação do setor brasileiro com os impactos da nova tarifa sobre as vendas e o faturamento das empresas.

Frigoríficos podem buscar outros mercados

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), algumas empresas já reduziram as vendas para a China nos últimos meses e passaram a procurar compradores em outros países.

A entidade também discute com o governo uma forma de distribuir a cota de 2027 entre os frigoríficos. A proposta pretende evitar que grande parte do volume disponível seja concentrada em poucas empresas e permitir que os embarques sejam distribuídos ao longo do ano.

Na terça-feira (29), a China autorizou mais duas unidades brasileiras a exportar carne bovina, uma localizada em Minas Gerais e outra em Pernambuco.

Medida faz parte da política chinesa de proteção ao mercado

A China adotou o sistema de cotas para controlar o crescimento das importações e proteger o mercado interno. A medida também atinge outros países fornecedores de carne bovina.

O mercado chinês enfrenta ainda preços mais baixos e aumento da produção doméstica. As importações de carne bovina cresceram de menos de 1,5 milhão de toneladas em 2018 para aproximadamente 2,8 milhões de toneladas nos últimos anos.

O Brasil responde por mais de 40% das importações chinesas do produto.

Para 2026, a Abiec estima uma redução de aproximadamente 10% nas exportações brasileiras de carne bovina em relação ao ano anterior, em um cenário que também inclui novas restrições impostas por outros mercados, como a União Europeia.

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