Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Amazonas registra quase o dobro de incêndios e governo investiga suspeita de ação criminosa

Ministro do Meio Ambiente aponta indícios de queimadas organizadas para ocupar terras ilegalmente; fumaça afeta Manaus e mobiliza forças federais
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O aumento dos incêndios no Amazonas levou o governo federal a investigar a possibilidade de uma ação criminosa organizada para destruir áreas de floresta e ocupar terras ilegalmente. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (14) pelo ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco.

Segundo dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estado registrou 1.608 focos de queimadas desde o início de outubro de 2026. Em todo o mesmo mês de 2025, foram contabilizados 874 focos.

A fumaça provocada pelos incêndios também prejudica a qualidade do ar em Manaus, capital amazonense, onde vivem cerca de 2,3 milhões de pessoas.

Governo investiga possível ação organizada

Após sobrevoar regiões atingidas, Capobianco afirmou ter observado centenas de focos de incêndio em áreas de floresta preservada, distantes de propriedades rurais destinadas à produção agropecuária.

Para o ministro, essa situação levanta a suspeita de que parte das queimadas tenha sido provocada de forma intencional, com o objetivo de degradar a vegetação e facilitar a ocupação irregular de terras.

O governo também investiga uma possível relação entre os incêndios e o período eleitoral. Segundo Capobianco, essa hipótese ainda está sendo apurada e não há confirmação de ligação entre as queimadas e as eleições.

Polícia Federal participa das investigações

O ministro informou que viajaria novamente a Manaus nesta quarta-feira, acompanhado do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, além de investigadores da Polícia Federal e agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O objetivo é reunir informações e identificar os possíveis responsáveis pelos incêndios. A polícia do Amazonas também conduz investigações sobre o caso.

Fumaça prejudica a população

A situação ambiental tem provocado impactos na rotina dos moradores de Manaus. Devido à fumaça e à piora da qualidade do ar, as escolas públicas municipais estavam fechadas desde a sexta-feira anterior à publicação da reportagem.

Para enfrentar o problema, o governo federal mobilizou 11 aeronaves e cerca de 300 brigadistas para combater as chamas.

El Niño pode agravar os incêndios

Além da suspeita de queimadas criminosas, as condições climáticas também preocupam as autoridades. O fenômeno El Niño pode elevar as temperaturas e favorecer períodos de seca na região amazônica, aumentando a vulnerabilidade da vegetação ao fogo.

Em setembro de 2026, o Amazonas já havia registrado mais de 3.700 focos de incêndio, quase quatro vezes o número contabilizado no mesmo mês do ano anterior.

Apesar do cenário, Capobianco destacou que o desmatamento na Amazônia apresentou redução entre 2022 e 2025.

As investigações devem esclarecer as causas dos incêndios e verificar se houve atuação coordenada de responsáveis pela destruição de áreas de floresta.

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