Pelo menos 600 mil pessoas ficaram sem energia elétrica na Ucrânia após uma série de ataques russos com mísseis e drones durante a noite. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (14) pelo presidente ucraniano, Volodmir Zelenski. Autoridades locais também confirmaram três mortes em Kiev, capital do país.
Segundo informações divulgadas pela BBC, os ataques atingiram instalações de energia em Kiev, na região metropolitana da capital, e em Kharkiv, no nordeste ucraniano.
A ofensiva ocorreu poucos dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma proposta de trégua para interromper ataques contra instalações energéticas da Rússia e da Ucrânia.
Enquanto Kiev acusa Moscou de atingir estruturas essenciais, o governo russo afirma que os alvos eram instalações de comunicação e energia utilizadas pelas Forças Armadas ucranianas.
Ucrânia afirma ter derrubado mísseis e drones
De acordo com a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou 39 mísseis balísticos e de cruzeiro, além de 128 drones durante a ofensiva.
Os militares ucranianos afirmaram ter interceptado quatro mísseis e 115 drones. Os ataques ocorreram pela segunda noite consecutiva com lançamento de mísseis contra a capital.
Os danos à infraestrutura energética aumentam a preocupação com o fornecimento de eletricidade para a população e para os serviços essenciais.
Problemas no Starlink preocupam autoridades ucranianas
Além dos ataques, autoridades da Ucrânia relataram dificuldades no funcionamento do Starlink, serviço de internet via satélite operado pela SpaceX, empresa de Elon Musk.
Serhiy Beskrestnov, assessor de Zelenski, afirmou em uma publicação no Telegram que a adoção de um limite de velocidade de 160 km/h nos terminais teria provocado interrupções em missões militares.
Uma fonte do Ministério da Defesa ucraniano disse à BBC que as restrições estariam prejudicando atividades logísticas, o uso de sistemas não tripulados e operações com drones.
O Starlink é utilizado pelas forças ucranianas para comunicação e controle desses equipamentos no campo de batalha. Até o momento, a SpaceX não havia comentado os relatos, e as autoridades ucranianas informaram que investigavam a origem do problema.
Rússia e Ucrânia divergem sobre proposta de trégua
A possibilidade de interromper ataques contra instalações de energia continua gerando divergências entre os dois países.
Zelenski declarou que a Ucrânia aceita suspender ataques contra alvos energéticos russos caso Moscou adote a mesma medida.
O presidente ucraniano também afirmou que Washington teria ameaçado limitar o compartilhamento de informações de inteligência se Kiev não aceitasse a proposta. Trump, por sua vez, negou que os Estados Unidos estivessem retendo informações.
Já o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, criticou a possibilidade de uma trégua. Segundo ele, uma pausa nos ataques poderia permitir que países europeus ampliassem o fornecimento de armas à Ucrânia.
Zelenski busca reforçar a defesa aérea
Em meio à escalada dos ataques, o presidente ucraniano se prepara para se reunir em Londres com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. O encontro tem como objetivo discutir medidas para acelerar o envio de equipamentos de defesa aérea ao país.
A guerra começou em fevereiro de 2022, quando a Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia. Desde então, os combates provocam mortes, destruição de infraestrutura e impactos sobre a população civil.
Os novos ataques reforçam a preocupação com a segurança energética ucraniana e dificultam as perspectivas de avanço nas negociações para reduzir as hostilidades.