Quarta-feira, 15 de julho de 2026

Gasolina pode ter mais etanol: mudança preocupa donos de carros antigos e importados

Governo deve aumentar mistura de etanol para 32%. Especialistas alertam para possível aumento no consumo, desgaste de peças e custos de manutenção em alguns veículos.
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O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve decidir nesta terça-feira (14) sobre o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, que passará de 30% para 32%.

A proposta faz parte da política de incentivo aos biocombustíveis, mas tem gerado debate entre especialistas da área automotiva. Segundo engenheiros, a mudança pode afetar principalmente carros mais antigos e alguns modelos importados que não foram desenvolvidos para operar com uma concentração maior de etanol.

Entre os possíveis impactos estão aumento no consumo de combustível, desgaste de componentes do sistema de injeção, corrosão de peças metálicas, ressecamento de mangueiras e vedações, além de falhas na partida e perda de desempenho do motor.

Os especialistas explicam que o etanol possui menor poder energético que a gasolina. Por isso, alguns veículos podem precisar de uma quantidade maior de combustível para manter o mesmo rendimento, elevando o consumo.

Os modelos fabricados há mais de 20 anos são os que mais preocupam, especialmente aqueles equipados com carburador ou sistemas eletrônicos mais simples, que têm menor capacidade de ajustar automaticamente a mistura entre ar e combustível.

Além disso, oficinas especializadas alertam que o aumento do teor de etanol pode acelerar o desgaste de bombas de combustível, bicos injetores, velas de ignição e filtros, o que pode elevar os custos de manutenção. Em veículos importados premium, algumas dessas peças custam milhares de reais.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirma ser favorável ao uso de biocombustíveis, mas defende que a mudança seja implantada somente após a realização de testes técnicos completos para garantir a segurança e a durabilidade dos motores.

Por outro lado, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) sustenta que estudos realizados dentro do programa Combustível do Futuro indicam que a nova mistura é segura para a frota nacional. Segundo a entidade, os testes não identificaram prejuízos ao desempenho dos veículos nem aumento de desgaste dos motores.

Além dos benefícios ambientais, a indústria do etanol afirma que a mudança poderá reduzir a necessidade de importação de gasolina e aumentar o uso de um combustível renovável produzido no Brasil.

Caso a medida seja aprovada, a nova composição da gasolina deverá entrar em vigor após a definição do cronograma de implementação pelo governo federal.

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