Uma nova onda de golpes está atingindo pessoas que têm processos na Justiça. No chamado “golpe do falso advogado”, criminosos se passam por advogados para prometer indenizações ou benefícios e pedem pagamentos adiantados. Nos últimos três anos, o prejuízo já soma R$ 2,8 bilhões.
As quadrilhas acessam sistemas da Justiça usando credenciais de advogados, obtidas ilegalmente. Assim, conseguem informações reais sobre processos, incluindo telefones e e-mails, e usam esses dados para enganar as vítimas.
Gilberto Alves, funcionário público de Brasília, recebeu uma mensagem no WhatsApp com a foto de seu advogado. O golpista cobrou R$ 2 mil para liberar o dinheiro do processo, insistindo que o pagamento fosse feito no mesmo dia. Só depois ele percebeu que tinha sido enganado.
No Rio Grande do Sul, uma aposentada perdeu R$ 255 mil ao cair em outro golpe. Ela esperava receber R$ 7 mil de pensão e fez vários depósitos para criminosos que se passaram por advogados. A advogada verdadeira, Leandra Wichmann, explicou que os golpistas até criaram documentos falsos usando prints de processos da Justiça.
A polícia investiga o esquema, que pode estar ligado a facções criminosas. As credenciais de advogados são vendidas online por valores a partir de R$ 200. Criminosos modernos já usam inteligência artificial para clonar vozes e simular números de telefone reais de advogados.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anunciou que, a partir de novembro, o acesso aos sistemas digitais da Justiça exigirá uma camada extra de segurança, semelhante à autenticação usada em bancos, para dificultar fraudes.
Especialistas alertam que a principal defesa é a cautela. Nunca faça pagamentos urgentes ou via PIX, e sempre confirme informações diretamente com seu advogado por um número de contato conhecido. Processos judiciais demoram meses ou anos, e o pagamento oficial é feito somente por alvará emitido pelo juiz. (G1 Fantástico)