Campo Grande amanheceu nesta quarta-feira (17) pelo terceiro dia seguido sem transporte coletivo. A greve dos motoristas continua mesmo após decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou a circulação mínima da frota e aplicou multa diária de R$ 200 mil ao sindicato.
Desde a madrugada, terminais e pontos de ônibus seguem vazios, enquanto as garagens permanecem cheias de veículos parados. Sem alternativa, milhares de passageiros estão indo ao trabalho a pé, de bicicleta, de carona ou por aplicativos e táxis.
O que os motoristas cobram
A paralisação ocorre por causa de atrasos e pagamento parcial de salários. Segundo a categoria, apenas 50% do salário foi pago. Também estão pendentes:
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pagamento do 5º dia útil (vencido em 5 de dezembro);
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segunda parcela do 13º salário (vence em 20 de dezembro);
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vale salarial (adiantamento), também com vencimento no dia 20.
Troca de acusações
O Consórcio Guaicurus afirma que enfrenta crise financeira e diz que a Prefeitura de Campo Grande deve cerca de R$ 39 milhões desde 2022, o que impediria o pagamento integral dos funcionários.
Já a Prefeitura nega qualquer atraso. A prefeita Adriane Lopes classificou a greve como ilegal e abusiva, afirmando que todos os repasses foram feitos e que a empresa deveria manter os salários em dia.
Decisão judicial não cumprida
O TRT determinou que os ônibus funcionassem com:
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70% da frota nos horários de pico (manhã e fim da tarde);
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50% nos demais períodos.
Mesmo assim, a ordem foi descumprida. A multa ao sindicato aumentou de R$ 20 mil para R$ 200 mil por dia. O presidente do sindicato chegou a defender o cumprimento da decisão, mas a maioria dos motoristas optou por manter a paralisação.
Impacto na cidade
Cerca de 100 mil usuários são afetados diariamente. Esta já é considerada a maior greve do transporte coletivo em Campo Grande nos últimos 31 anos, superando paralisações históricas registradas na década de 1990.
Até o momento, não há previsão de retomada do serviço. (correiodoestado.com.br).