O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou esta quarta-feira (28) em queda de 2,68%, aos 171.006 pontos. Foi o terceiro pregão consecutivo de baixa, levando o indicador ao menor nível desde 20 de agosto.
A preocupação dos investidores está concentrada no cenário político e econômico do Brasil, principalmente nas dúvidas sobre o controle dos gastos públicos e as medidas que serão adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Enquanto as bolsas dos Estados Unidos apresentaram comportamento diferente, o mercado brasileiro sofreu com a venda de ações e a retirada de recursos por investidores estrangeiros.
Segundo dados da B3, somente na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno das eleições, os estrangeiros retiraram R$ 2,846 bilhões da Bolsa brasileira.
Queda atinge bancos e setor imobiliário
As perdas atingiram diversos setores da economia. O índice das empresas imobiliárias caiu 5,71%, enquanto o indicador das empresas de menor valor de mercado recuou 4,22%.
Entre os bancos, as principais quedas foram registradas pelo Bradesco, com baixa de 6,68%, BTG Pactual, com 6,52%, e Itaú Unibanco, que perdeu 3,42%.
O resultado do Santander também chamou a atenção dos investidores. A instituição registrou lucro líquido de R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre, uma redução de 28% em comparação com o mesmo período do ano anterior, acompanhada pelo aumento da inadimplência.
Incertezas sobre o governo preocupam investidores
Especialistas do mercado financeiro avaliam que a falta de definições sobre nomes importantes da equipe econômica, especialmente para o Ministério da Fazenda, aumenta a insegurança dos investidores.
Outro ponto de preocupação é a possibilidade de crescimento dos gastos públicos, o que poderia dificultar o controle da inflação e exigir a manutenção dos juros elevados por mais tempo.
Esse cenário prejudica principalmente empresas que dependem do consumo das famílias, do crédito e dos investimentos.
Bolsa acumula perdas expressivas
Com o resultado desta quarta-feira, o Ibovespa acumula queda de 16,6% na semana e de 8,2% no mês. O volume financeiro negociado no dia chegou a aproximadamente R$ 41 bilhões.
Para analistas, o mercado deve continuar atento às decisões econômicas e políticas do governo, além dos próximos indicadores de inflação, juros e atividade econômica.
A expectativa é de que sinais mais claros sobre o controle das contas públicas e a condução da economia possam ajudar a recuperar a confiança dos investidores nos próximos meses.