Três homens foram condenados nesta quinta-feira (6) a mais de 60 anos de prisão pelo assassinato dos adolescentes Aysla Carolina de Oliveira e Silas Ortiz Grizahay, ambos de 13 anos, no bairro Aero Rancho, em Campo Grande (MS). O crime, ocorrido em 2022, chocou a população pela crueldade e pelo fato de as vítimas terem sido mortas por engano.
Condenações
O 2º Tribunal do Júri de Campo Grande considerou Nicollas Inácio Souza o autor dos disparos e principal responsável pelas mortes. Ele recebeu:
- 15 anos de prisão pela morte de Silas;
- 15 anos pela morte de Aysla;
- 10 anos pela tentativa de homicídio do verdadeiro alvo do ataque.
No total, Nicollas foi condenado a 43 anos e 20 dias de prisão, além do pagamento de multa.
O mandante do crime, Kleverton da Silva, foi condenado a 14 anos de prisão pela tentativa de homicídio contra o homem que seria o alvo dos tiros.
Já Rafael Mendes, acusado de ajudar no crime e de guardar a moto furtada usada no ataque, recebeu 11 anos de prisão pelos crimes de tentativa de homicídio e receptação.
O trio ainda foi condenado a pagar indenizações por danos morais:
- R$ 15 mil aos familiares de Aysla e Silas;
- R$ 5 mil à vítima que sobreviveu.
O réu George Edilton Gomes foi absolvido, e o julgamento de João Vitor Mendes, acusado de estar na garupa da moto e esconder a arma, foi adiado para dezembro de 2025, pois o advogado não pôde comparecer.
Como o crime aconteceu
De acordo com as investigações da Polícia Civil, os criminosos pretendiam matar um homem que vendia drogas na região. No momento dos disparos, o alvo correu em direção aos adolescentes que estavam próximos, e eles acabaram sendo atingidos.
- Aysla foi baleada no rosto, pescoço e braço;
- Silas foi atingido no tórax.
O Samu foi acionado, mas os dois adolescentes morreram ainda no local.
O que disseram os acusados
Durante as investigações, a polícia reuniu provas e depoimentos que detalharam o envolvimento de cada um:
- Nicollas Inácio Souza confessou ter pilotado a moto e efetuado os disparos com uma pistola calibre .357.
- Rafael Mendes negou participação direta, mas admitiu que a moto usada no crime ficou guardada em sua casa.
- George Edilton Gomes, motorista de aplicativo, disse que não sabia do plano, mas investigadores afirmaram que ele auxiliou na fuga.
- Kleverton da Silva foi apontado como o mandante. Conversas no celular de Nicollas mostraram que ele orientava a destruir provas e prometia ajudar na fuga e enviar dinheiro.
- João Vitor Mendes, ainda não julgado, seria o garupa da moto e o responsável por esconder a arma após o crime.
A tragédia que tirou a vida de Aysla e Silas continua a comover Campo Grande. As famílias das vítimas esperam que as condenações tragam algum alívio diante da dor causada por um crime brutal e sem sentido.