Sábado, 15 de agosto de 2026

Lei da Reciprocidade: Brasil inicia processo contra tarifas dos EUA

Governo Lula aciona mecanismo previsto em lei, mas possíveis medidas contra produtos americanos ainda dependem de consultas, análises e negociações
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O governo brasileiro iniciou o processo previsto na chamada Lei da Reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida foi comunicada na quinta-feira (13) e envolve a Câmara de Comércio Exterior (Camex) e o Ministério das Relações Exteriores.

O início do processo, porém, não significa que o Brasil já aplicará novas tarifas aos produtos americanos. Antes de qualquer contramedida, ainda serão realizadas etapas de análise, consultas públicas e negociações diplomáticas.

Como funciona a Lei da Reciprocidade?

A Lei nº 15.122, de 11 de abril de 2025, estabelece mecanismos para que o Brasil possa reagir a medidas estrangeiras que prejudiquem a competitividade dos produtos e empresas brasileiras.

Entre as possibilidades estão:

  • aplicar tarifas equivalentes sobre produtos dos Estados Unidos;
  • adotar medidas comerciais em resposta às barreiras impostas;
  • recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC);
  • revisar determinados benefícios ou acordos concedidos ao país estrangeiro.

O que acontece agora?

Com a abertura do processo, o governo brasileiro deverá avaliar quais setores foram afetados pelas medidas americanas e quais respostas seriam adequadas.

As chamadas contramedidas ordinárias precisam passar por consulta pública de até 30 dias. Depois dessa etapa, a proposta será analisada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Camex, que poderá decidir pela adoção ou não das medidas.

Em situações consideradas excepcionais, a legislação também permite a adoção de medidas provisórias antes da conclusão de todas as etapas.

Brasil também busca solução pela diplomacia

Paralelamente às medidas previstas na Lei da Reciprocidade, o Brasil mantém negociações com os Estados Unidos e recorreu à OMC.

O governo brasileiro solicitou consultas formais na organização no dia 6 de agosto. O procedimento abre espaço para que os dois países discutam diretamente as tarifas e tentem encontrar uma solução para o conflito comercial.

Segundo o governo, a intenção é buscar uma saída por meio do diálogo e reduzir os impactos das medidas americanas sobre a economia brasileira.

O que pode acontecer?

Por enquanto, não há aplicação automática de novas tarifas pelo Brasil. O processo ainda depende das análises previstas na legislação e das negociações entre os dois países.

Caso o diálogo não avance, o governo poderá avaliar a adoção de contramedidas dentro das regras estabelecidas pela Lei da Reciprocidade. A expectativa, segundo as informações divulgadas pelo governo, é que eventuais medidas efetivas sejam analisadas após as eleições de 2026.

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