Terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Mapeamento inédito mostra quanto da Antártica realmente está livre de gelo

Estudo brasileiro revela extensão das áreas verdes no continente e ajuda a entender impactos do clima no Hemisfério Sul
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Um levantamento inédito do MapBiomas Antártica revelou que menos de 1% do território antártico fica livre de gelo. Ao todo, são cerca de 2,4 milhões de hectares, dos quais apenas 107 mil possuem algum tipo de vegetação durante o verão. É a primeira vez que essas áreas são medidas com precisão.

A pesquisa foi feita por cientistas brasileiros, que analisaram milhares de imagens de satélite com ajuda de inteligência artificial e computação em nuvem. De acordo com a coordenadora do estudo, Eliana Fonseca, o objetivo é entender tanto a dinâmica natural do continente quanto os efeitos globais da mudança do clima.

Segundo ela, o mapeamento é fundamental para acompanhar a fauna da Antártica, já que muitas espécies fazem ninhos e se reproduzem justamente nas regiões sem gelo. O registro da vegetação também permite avaliar a saúde dos ecossistemas e identificar áreas sensíveis.

Durante o verão, crescem musgos, algas terrestres e pequenas gramíneas nas áreas expostas. Rochas também abrigam diversos tipos de líquens, incluindo regiões mais interiores do continente.

Semelhanças com o Brasil

Os pesquisadores também identificaram características em comum com biomas brasileiros. Musgos, líquens e algas — chamados de crostas biológicas — aparecem em ambientes onde os recursos naturais são escassos, como na Caatinga e no Pampa. As gramíneas também são plantas pioneiras encontradas em diferentes biomas do país.

Antártica influencia o clima brasileiro

Por formar grandes massas de ar frio e seco, a Antártica tem impacto direto no clima do Hemisfério Sul. Segundo Eliana, a interação entre essas massas e o ar quente e úmido vindo do Brasil define o volume e a frequência das chuvas. Frentes frias mais intensas podem derrubar temperaturas não só no Sul, mas também no Centro-Oeste e no Norte do país.

Como o estudo foi feito

O trabalho só foi possível graças aos satélites Sentinel-2, capazes de capturar imagens de alta resolução na órbita polar. As análises consideram registros feitos entre 2017 e 2025, sempre no verão austral — período com mais luz solar e marcado pelo fenômeno conhecido como “sol da meia-noite”.

A presença constante de sombras das grandes cadeias montanhosas impede observar a mudança das áreas ao longo de todo o ano, mas a equipe planeja ampliar o trabalho nas próximas edições. Segundo Júlia Shimbo, coordenadora científica do MapBiomas, a expectativa é envolver mais pesquisadores e adicionar novas variáveis de monitoramento. (Agência Brasil).

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