Segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Novo IVA pode chegar a 28% e colocar o Brasil no topo dos impostos sobre consumo

Alíquota projetada supera países desenvolvidos e reacende debate sobre impacto no bolso dos mais pobres
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As projeções discutidas ao longo de 2025 indicam que a alíquota padrão do novo IVA brasileiro pode se aproximar de 28%, percentual que colocaria o Brasil entre os países com maior imposto sobre consumo do mundo. O novo tributo será formado pela CBS (federal) e pelo IBS (estadual e municipal), criados a partir da reforma tributária já aprovada e sancionada.

A estimativa passou a circular inclusive em declarações ligadas à equipe econômica do governo, após o fechamento do desenho final da reforma. O novo modelo foi instituído pela Lei Complementar nº 214/2025, que formaliza o IVA “dual” e também cria o Imposto Seletivo, voltado a produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Simplificação que pode sair mais cara

O governo apresenta a reforma como uma simplificação do sistema tributário, substituindo vários impostos por um modelo mais uniforme. No entanto, especialistas alertam que uniformizar não significa reduzir carga — e, na prática, o custo pode aumentar para o contribuinte final.

O cronograma prevê que 2026 será um ano de testes, com alíquotas simbólicas e ajustes técnicos para evitar aumento imediato de arrecadação. A transição completa, porém, deve levar vários anos, período em que empresas, estados e municípios ainda estarão se adaptando ao novo sistema.

Neutralidade em risco

O ponto mais controverso da reforma é a promessa de neutralidade arrecadatória. Analistas avaliam que, quanto mais exceções, benefícios fiscais e regimes especiais forem mantidos, maior precisará ser a alíquota cheia aplicada ao restante da economia para compensar as perdas.

É nesse cenário que a alíquota próxima de 28% ganha força, pressionando setores que não conseguem negociar tratamentos diferenciados.

Comparação internacional preocupa

Hoje, a Hungria detém a maior alíquota padrão de IVA da União Europeia, com 27%. Caso o Brasil confirme um percentual próximo de 28%, passará a integrar o grupo dos países com tributação mais pesada sobre o consumo, superando diversas economias desenvolvidas.

Impacto social

O efeito mais sensível é social. O imposto sobre consumo incide diretamente sobre itens básicos como alimentos, energia, gás, transporte e medicamentos. Isso faz com que o peso do tributo seja maior para quem vive de salário e gasta quase toda a renda para sobreviver.

Na prática, um IVA elevado tende a atingir com mais força a população de baixa renda, enquanto os mais ricos conseguem absorver melhor os aumentos ou diluir o impacto no orçamento.

O debate sobre o novo IVA, portanto, vai além da simplificação do sistema: envolve quem paga a conta e como ela será distribuída na sociedade brasileira.

 

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