Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Passarela das Cataratas do Iguaçu resiste à força do rio e impressiona pela engenharia

Construída em 1992, estrutura enfrentou enchentes e suportou vazão de 46 milhões de litros de água por segundo; fundações presas à rocha garantem resistência e segurança aos visitantes
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A passarela das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no Paraná, é um exemplo de engenharia construída para enfrentar a força da natureza. Inaugurada em 1992, a estrutura foi projetada para suportar a correnteza do Rio Iguaçu, inclusive durante grandes enchentes.

Em 2014, a vazão das Cataratas chegou a impressionantes 46 milhões de litros de água por segundo. Mesmo diante desse volume, a estrutura de concreto permaneceu intacta, demonstrando a importância das técnicas utilizadas na construção.

Obra enfrentou enchentes durante a construção

A construção da passarela começou após a antiga estrutura, inaugurada em 1970, ser destruída pela força da água durante uma cheia na década de 1980.

O novo projeto precisava garantir maior resistência e permitir que a estrutura suportasse as condições extremas do rio.

Para executar a obra, os trabalhadores precisaram desviar temporariamente o curso da água e deixar parte do leito seco. A primeira tentativa, realizada perto das quedas, foi atingida por uma enchente que arrastou equipamentos e parte das estruturas provisórias utilizadas pelas equipes.

Segundo o engenheiro Márcio Marcon, que participou da execução do projeto, pelo menos duas grandes enchentes ocorreram durante os trabalhos. Apesar dos prejuízos com equipamentos, a parte de concreto construída permaneceu intacta.

Depois dos problemas, as equipes fizeram um novo desvio do rio, a alguns quilômetros das Cataratas. Com a área de trabalho protegida da correnteza, foi possível avançar na instalação das fundações.

Como a passarela foi fixada na rocha?

Um dos principais segredos da resistência da estrutura está nas fundações feitas com a técnica conhecida como estaca-raiz.

O método consiste em perfurar a rocha e instalar estruturas de aço nos furos. Em seguida, uma mistura de cimento é injetada para fixar as fundações diretamente na rocha.

Dessa maneira, os pilares ficam firmemente ancorados no leito do rio, oferecendo maior resistência às forças provocadas pela água.

De acordo com Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da empresa responsável pelas fundações, a técnica permite suportar grandes esforços, incluindo a pressão da correnteza durante as cheias.

Além do fluxo da água, a estrutura também pode receber impactos de troncos, galhos e outros materiais arrastados pelo rio.

Monitoramento garante a segurança dos visitantes

A resistência da passarela depende também de inspeções e monitoramento contínuo. A concessionária Urbia+Cataratas utiliza equipamentos de medição para identificar possíveis movimentações dos pilares, inclusive alterações de poucos milímetros.

Pequenos dispositivos chamados prismas são instalados em pontos estratégicos da estrutura. Com equipamentos topográficos, os técnicos comparam as posições registradas ao longo do tempo para verificar se houve algum deslocamento.

Segundo André Franzini, gerente de sustentabilidade da concessionária, as medições realizadas desde o início do monitoramento não identificaram alterações na posição dos pilares.

As inspeções são feitas periodicamente e podem ser intensificadas após episódios de cheia ou caso seja identificada alguma mudança.

Quando a passarela pode ser reaberta após uma cheia?

Durante períodos de vazão elevada, o acesso dos turistas pode ser suspenso preventivamente.

Segundo a concessionária, a reabertura ocorre quando a vazão fica abaixo de 8 milhões de litros por segundo e uma avaliação técnica confirma que a estrutura está segura.

Antes da liberação, engenheiros verificam os pilares e outros componentes, enquanto as equipes recolocam as grades metálicas de proteção que são retiradas preventivamente durante as cheias.

A concessionária também acompanha as condições da bacia do Rio Iguaçu e dos reservatórios das hidrelétricas para avaliar o risco de uma nova elevação do nível da água.

Engenharia e natureza lado a lado

A passarela permite que visitantes observem de perto uma das paisagens naturais mais conhecidas do Brasil. Por trás da experiência turística, existe uma estrutura que exigiu planejamento, técnicas especiais de fundação e um sistema permanente de acompanhamento.

A história da passarela das Cataratas do Iguaçu mostra como a engenharia pode ajudar a enfrentar condições naturais extremas. Mesmo diante de uma correnteza poderosa, a combinação entre fundações resistentes, inspeções técnicas e medidas preventivas é fundamental para preservar a estrutura e proteger os visitantes.

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