As investigações da Operação Recon, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil, revelaram que o Primeiro Comando da Capital (PCC) montou uma estrutura para vigiar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido por atuar há mais de 20 anos contra a facção.
De acordo com o MP, os criminosos usaram drones e alugaram uma casa de luxo a menos de 1 km da residência do promotor, em Presidente Prudente (SP), para acompanhar sua rotina e da equipe de escolta. O grupo também planejava atacar Roberto Medina, coordenador de presídios do estado.
“Minha casa foi monitorada por drones. Encontramos imagens do trajeto que uso para o trabalho e até da academia”, afirmou Gakiya.
As provas foram obtidas a partir do celular de um integrante do PCC preso em julho. As imagens aéreas mostraram reuniões frequentes na casa alugada, que também servia como ponto de distribuição de drogas.
Segundo o MP, a célula do PCC atuava de forma organizada e compartimentada, com cada membro desempenhando uma função sem conhecer o plano completo, o que dificultava o rastreamento.
A operação cumpre 25 mandados de busca e apreensão e determinou a quebra de sigilos telefônicos e telemáticos para identificar outros envolvidos. Os mandados foram executados em Presidente Prudente, Álvares Machado, Martinópolis, Pirapozinho, Presidente Venceslau, Presidente Bernardes e Santo Anastácio.
Os investigadores afirmam que a ordem para eliminar Gakiya e Medina partiu da liderança do PCC. O plano teria começado em julho, mesmo período em que o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes foi assassinado, embora a polícia ainda não veja ligação direta entre os casos.
A Operação Recon segue apurando quem são os mandantes e executores do esquema, que demonstrou o alto grau de planejamento e ousadia da facção. (G1)