A Petrobras adiou em 12 meses o início da operação da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), em Três Lagoas, transferindo a previsão de funcionamento para 2029. A mudança consta no Plano Estratégico 2026-2030, divulgado pela estatal, e frustra a expectativa do governo federal de iniciar oficialmente as obras ainda em 2026.
O projeto, considerado estratégico para reduzir a dependência externa de fertilizantes, havia sido anunciado como prioridade no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entretanto, sem contrato assinado e sem empreiteira definida, o setor já admite que o cronograma inicial não será cumprido.
A Petrobras informou que continua recebendo propostas da concorrência até o fim deste mês — etapa necessária antes da mobilização do canteiro. Caso o início das obras seja postergado para 2027, como indicam projeções internas, a produção só poderá começar dois anos depois.
No plano divulgado ao mercado, a estatal reforça que a conclusão da UFN3 é o principal projeto de fertilizantes em andamento. Outras unidades — Fafen-BA, Fafen-SE e Araucária Nitrogenados — terão foco em manutenção e continuidade operacional.
Prioridade reafirmada, mas ainda sem avanço prático
Em setembro, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reiterou o compromisso com a conclusão da UFN3. Segundo ela, com todas as fábricas retomadas, a estatal poderá atender até 35% da demanda brasileira de fertilizantes nitrogenados.
Apesar das declarações, a obra segue paralisada desde 2014, mesmo com mais de 80% de sua estrutura concluída. Em junho, o Correio do Estado já havia noticiado que a operação antes de 2028 seria inviável — previsão agora oficializada no plano estratégico.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, já havia alertado que mudanças nos prazos de apresentação de propostas arrastariam todas as etapas posteriores.
Histórico de adiamentos
Lançada em 2008 e orçada em R$ 3 bilhões, a UFN3 foi interrompida em 2014 após a Petrobras romper contrato com a Galvão Engenharia, investigada na Lava Jato. Desde então, passou pelas gestões de Michel Temer, Jair Bolsonaro e pela atual administração federal, acumulando tentativas frustradas de venda, privatização ou retomada.
O empreendimento é considerado um dos mais complexos do portfólio da Petrobras, exigindo reavaliação de contratos, atualização tecnológica e novos estudos de viabilidade. A conclusão demandará cerca de US$ 800 milhões.
Se o novo cronograma for mantido, a produção de ureia em Três Lagoas só deverá começar em 2029. (correiodoestado.com.br).