A criação de grandes federações e a busca por partidos com mais recursos devem reduzir a competitividade das siglas pequenas nas eleições proporcionais. Em Mato Grosso do Sul, esse cenário está levando políticos já conhecidos a reorganizar suas alianças para 2026.
Um dos partidos que deve ganhar destaque é o Partido Verde (PV), que integra a Federação Brasil da Esperança, ao lado do PT e do PCdoB. Tradicionalmente considerado “nanico” no Estado, o PV pode se tornar abrigo para políticos de centro que pretendem se alinhar à esquerda nas próximas eleições.
Marquinhos Trad e Geraldo Resende em movimento
Entre os nomes cotados está o vereador e ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PDT), que tem mantido conversas com lideranças do campo progressista e pode migrar para o PV.
Outro político que pode seguir o mesmo caminho é o deputado federal Geraldo Resende (PSDB). Com histórico em partidos de centro-esquerda, ele também dialoga com o núcleo aliado ao PT e pode buscar no PV um espaço mais competitivo para 2026.
A articulação desses movimentos passa diretamente pelo presidente estadual do PT, deputado federal Vander Loubet, figura central na construção da federação no Estado e que deve disputar o Senado.
Competitividade e cálculo eleitoral
Tanto Marquinhos quanto Resende buscam fortalecer suas candidaturas diante da possível queda de desempenho de seus atuais partidos. Com coeficientes eleitorais mais altos previstos para 2026, políticos isolados em siglas menores podem ter dificuldade para se manter competitivos.
No PV, seus votos passam a integrar o total da federação, o que amplia suas chances de conquista de vagas. Em contrapartida, ambos terão de disputar espaço interno com nomes fortes do PT, como Pedro Kemp, Tiago Botelho, Gleice Jane e Zeca do PT, além da federal Camila Jara e novos postulantes.
Marquinhos enfrenta um desafio adicional: como vereador, não terá direito à janela partidária, diferentemente dos deputados. A troca de sigla exigirá negociação jurídica e política.
PT quer chapa ampla para 2026
O PT trabalha para montar uma chapa variada que fortaleça o projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido aposta ainda no ex-deputado federal Fábio Trad, novo filiado, que deve disputar o governo do Estado contra o atual governador Eduardo Riedel.
Também segue em aberto o futuro político da ministra do Planejamento Simone Tebet (MDB). Ela negocia três caminhos:
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ser vice de Lula, caso Geraldo Alckmin concorra ao governo de SP;
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disputar o Senado por Mato Grosso do Sul;
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ou concorrer ao Senado por São Paulo, o que exigiria troca de partido.
Apesar das possibilidades, Tebet reforça que pretende manter seu domicílio eleitoral em MS.
Saiba mais: Janela partidária em março
A janela partidária para deputados estaduais e federais será aberta em março de 2026, durando 30 dias. Vereadores não têm direito ao benefício — caso de Marquinhos Trad.
Fonte: correidoestado.com.br