O Ministério da Saúde anunciou um novo protocolo no Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar a prevenção do câncer de intestino no Brasil. A partir de agora, o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) será o exame de referência para homens e mulheres entre 50 e 75 anos que não apresentam sintomas da doença.
A novidade foi divulgada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda oficial em Lyon, na França. Segundo o governo federal, a medida pode beneficiar mais de 40 milhões de brasileiros e aumentar o diagnóstico precoce do câncer colorretal, atualmente um dos mais comuns no país.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer, o Brasil deve registrar cerca de 53,8 mil novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028.
Como funciona o novo exame
O FIT é um exame de fezes capaz de identificar pequenas quantidades de sangue invisíveis a olho nu. Esses sinais podem indicar pólipos, lesões pré-cancerígenas ou até câncer no intestino.
O paciente recebe um kit para fazer a coleta em casa. Basta retirar uma pequena amostra das fezes e encaminhar o material para análise laboratorial.
Entre as vantagens do teste estão:
- não exige preparo intestinal;
- não precisa de dieta antes da coleta;
- utiliza apenas uma amostra;
- é menos invasivo;
- facilita a adesão da população.
Segundo o Ministério da Saúde, o exame tem alta precisão e pode identificar alterações com sensibilidade entre 85% e 92%.
Exame positivo não significa câncer
Quando o resultado apresenta sangue oculto nas fezes, o paciente é encaminhado para exames complementares, como a colonoscopia, considerada o principal método para avaliar o intestino.
Além de identificar possíveis lesões, a colonoscopia também permite retirar pólipos antes que evoluam para câncer.
Especialistas alertam que um resultado positivo não confirma necessariamente a doença. Problemas como hemorroidas e inflamações intestinais também podem causar sangramentos detectados pelo exame.
Da mesma forma, um resultado negativo não elimina totalmente o risco, já que algumas lesões podem não sangrar no momento da coleta.
Quem deve fazer o rastreamento
O novo protocolo é indicado para pessoas sem sintomas entre 50 e 75 anos.
Quem apresentar sinais como:
- sangue nas fezes;
- perda de peso sem explicação;
- anemia;
- alterações persistentes no intestino;
- dores abdominais frequentes;
deve procurar atendimento médico independentemente da idade.
Pessoas com histórico familiar de câncer de intestino ou doenças intestinais também podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo, conforme orientação médica.
Desafio será ampliar o acesso ao tratamento
Especialistas destacam que o sucesso do rastreamento depende não apenas da realização do exame, mas também da rapidez no atendimento após resultados alterados.
O objetivo do novo protocolo é aumentar o diagnóstico precoce e reduzir a mortalidade causada pelo câncer de intestino no Brasil.