O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou na quarta-feira (15) operações secretas da CIA na Venezuela e avaliou ataques terrestres contra cartéis de drogas, aumentando a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.
Desde agosto, os EUA deslocaram navios e aeronaves militares para o sul do Caribe. Atualmente, pelo menos oito navios e um submarino nuclear estão próximos à costa venezuelana, com centenas de militares e armas. Segundo Washington, a ação visa combater o tráfico internacional de drogas, incluindo bombardeios a embarcações suspeitas.
Trump também acusa Maduro de liderar o “Cartel de los Soles”, considerado narcoterrorista pelos EUA. Em agosto, o Departamento de Justiça ofereceu recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão do presidente venezuelano.
Especialistas, como o cientista político Maurício Santoro, afirmam que os movimentos dos EUA podem indicar uma tentativa de derrubar Maduro. Além da questão das drogas, a Venezuela é alvo pelo controle de suas vastas reservas de petróleo, estimadas em 302 bilhões de barris.
Na quarta-feira, três bombardeiros B-52 sobrevoaram a chamada “FIR” venezuelana, área de jurisdição do país mas fora de seu território. Esses aviões, capazes de ataques nucleares e com alcance de 14 mil km, representam um alerta estratégico e uma possível preparação para ações militares futuras, segundo Santoro.
O governo de Maduro reagiu chamando as ações de “golpes da CIA” e reforçou que a população rejeita qualquer intervenção estrangeira. O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela classificou as declarações de Trump como “belicistas e extravagantes” e acusa os EUA de buscar apropriação de recursos petrolíferos.
Desde setembro, os EUA vêm bombardeando barcos próximos à costa venezuelana, alegando que transportam drogas. Seis pessoas morreram no ataque mais recente, mas a Venezuela afirma que eram pescadores. Organizações internacionais, como a Human Rights Watch, criticam os bombardeios por violarem a lei internacional, chamando-os de “execuções extrajudiciais ilegais”.
A situação mantém alta tensão na região, com risco de escalada militar e pressão diplomática internacional. (G1)