Sábado, 18 de abril de 2026

Cabrini apaga gravações na Venezuela para evitar prisão

Jornalista relata cobertura de alto risco em país sem liberdade de imprensa
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O jornalista Roberto Cabrini revelou que precisou apagar reportagens gravadas na Venezuela para evitar ser preso durante uma cobertura considerada uma das mais arriscadas de sua carreira. A RECORD foi a única emissora brasileira a conseguir enviar uma equipe de televisão ao país após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

Cabrini passou quatro dias em território venezuelano registrando o clima tenso em Caracas e os impactos dos bombardeios em pontos estratégicos. Segundo ele, a atuação da imprensa no país é severamente limitada, o que aumentou os riscos para a equipe.

“Foi uma cobertura extremamente desafiadora. Estamos falando de um lugar onde a imprensa não é livre”, afirmou o jornalista durante entrevista ao programa Domingo Espetacular, após deixar a Venezuela e seguir para o Panamá.

Gravações apagadas por segurança

Para não levantar suspeitas das forças de segurança, Cabrini explicou que as imagens eram feitas de forma discreta, com celulares. O material era enviado imediatamente para fora do país e, em seguida, totalmente apagado dos aparelhos.

“Não era só apagar da galeria. A gente apagava de todos os compartimentos do celular, por segurança”, contou. A medida era necessária diante do histórico recente de prisões e deportações de jornalistas estrangeiros.

Clima de medo e cidade militarizada

O jornalista também relatou que, após o fim da tarde, sair às ruas de Caracas se tornava praticamente impossível. A capital estava fortemente militarizada, e a equipe precisava monitorar constantemente a movimentação dos serviços de inteligência.

Apesar das restrições, Cabrini conseguiu mostrar alvos militares atingidos e os reflexos dos ataques na vida da população civil, que, segundo ele, sofre diretamente com os conflitos armados.

Durante a cobertura, o jornalista esteve na base aérea de La Carlota, uma das áreas mais afetadas pelos bombardeios, e acompanhou manifestações de apoio a Maduro, marcadas por críticas à intervenção dos Estados Unidos.

Nos últimos dias da estadia, Cabrini observou que os moradores começaram, aos poucos, a retomar a rotina e voltar às ruas, que antes estavam praticamente vazias.

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