O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira (20) que convidou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para integrar um conselho internacional voltado à reconstrução da Faixa de Gaza. O grupo, chamado de Conselho da Paz, será presidido pelo próprio Trump.
Segundo o presidente norte-americano, Lula teria papel de destaque no colegiado. “Eu o convidei. Gosto dele. Lula terá um grande papel no conselho da paz de Gaza”, afirmou durante entrevista coletiva em que fez um balanço do primeiro ano de seu segundo mandato, que vai até janeiro de 2029.
Conselho e plano para Gaza
O Conselho da Paz faz parte da segunda etapa de um plano internacional para Gaza, anunciado pela Casa Branca em outubro do ano passado. A iniciativa prevê a criação de um Comitê Nacional para a Administração de Gaza, responsável por coordenar a reconstrução do território palestino, duramente afetado por anos de conflito, com mais de 68 mil mortos.
Apesar do anúncio de cessar-fogo, agências da ONU relatam que ataques e confrontos continuam ocorrendo na região.
Brasil ainda não decidiu
Até agora, o Palácio do Planalto não informou se Lula aceitará o convite. O Ministério das Relações Exteriores confirmou que o convite foi recebido por meio da Embaixada do Brasil em Washington.
Outros líderes também foram convidados, como os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Paraguai, Santiago Peña, que agradeceram publicamente. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, além de autoridades da Europa e do Egito, também estariam na lista.
Críticas e controvérsias
O governo dos Estados Unidos anunciou que o grupo executivo que atuará em Gaza contará com nomes como o secretário de Estado, Marco Rubio, o enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Até o momento, nenhum representante palestino foi indicado.
A proposta gerou críticas do governo de Israel, que afirmou não ter sido consultado. Também surgiram informações de que os países convidados teriam de contribuir financeiramente para participar do conselho, com valores em torno de US$ 1 bilhão. A Casa Branca negou essa cobrança.
Lula critica postura de Trump
No mesmo dia, durante evento no Rio Grande do Sul, Lula fez críticas indiretas a Trump, afirmando que o presidente dos EUA tenta “governar o mundo” por meio das redes sociais. Segundo Lula, o excesso de anúncios e declarações online gera instabilidade internacional.
Enquanto isso, o convite segue em análise pelo governo brasileiro, e a decisão final ainda não foi anunciada. (Agência Brasil).