A senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (PDB-MS) endossou os votos que derrubaram o relatório da CPI do Crime Organizado. A comissão encerrou os trabalhos na terça-feira (15), com a votação do parecer final marcada por manobra de “troca-troca” de integrantes.
A sessão final durou cerca de cinco horas. Durante as manifestações, a senadora estava em reunião da bancada de Mato Grosso do Sul com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto. Ela chegou ao Senado após as 18h para registrar o voto.
Reunião tensa
A leitura final do relatório, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (SE), foi marcada por acusações de “manobra nefasta”.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que a CPI teve mais reuniões canceladas do que realizadas e criticou mudanças na composição da comissão. Ele citou a retirada de parlamentares que participaram ativamente dos trabalhos, como Marcos do Val e Sergio Moro.
As alterações de última hora incluíram a entrada de Soraya Thronicke, o que também foi criticado por outros parlamentares.
Instalada em novembro de 2025, a CPI investigou a atuação do crime organizado, incluindo ocupação territorial, lavagem de dinheiro e infiltração no poder público. Com o tempo, o Banco Master passou a ser foco das apurações.
Relatório rejeitado
O relatório final foi rejeitado por seis votos contrários e quatro favoráveis.
No texto, o relator Alessandro Vieira apontou que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) prejudicaram as investigações, como concessões de habeas corpus e anulação de quebras de sigilo.
O presidente da comissão reconheceu dificuldades, mas afirmou que não concordava com os pedidos de indiciamento por falta de comprovação de intenção nas condutas.
Ministros na mira
O relatório pedia o indiciamento dos ministros do STF Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Segundo o documento, os ministros teriam cometido crimes de responsabilidade, o que poderia levar a eventual julgamento pelo Senado.
Também foi apontada conduta incompatível com a função pública e, no caso do procurador-geral, acusação de negligência.
O relator destacou que o indiciamento não significa condenação, mas sim o entendimento de que há indícios suficientes para investigação.
Dados da CPI
Durante cinco meses de funcionamento, a comissão realizou:
- 18 reuniões
- 19 depoimentos
- 314 requerimentos apresentados
- 204 analisados
- 178 aprovados
Entre as medidas aprovadas, houve convocações, convites, pedidos de informações e transferências de sigilo — algumas anuladas posteriormente por decisões do STF. (midiamax.com.br)