Mato Grosso do Sul segue em alerta por causa do aumento dos casos de doenças respiratórias. Novo boletim divulgado pela Fiocruz nesta quinta-feira (28) mostra crescimento dos registros de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) em todas as faixas etárias no Estado.
Segundo o levantamento, o avanço está ligado principalmente à circulação do VSR (vírus sincicial respiratório) e da influenza A. O rinovírus também aparece como uma das principais causas de internações, principalmente entre crianças e adolescentes.
O relatório aponta que quase todos os estados brasileiros apresentam alta nos casos de SRAG, incluindo Mato Grosso do Sul. Apenas Rondônia não registrou aumento no período analisado.
A pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz, alerta que a vacinação continua sendo a principal forma de evitar casos graves e mortes. Ela reforça que a vacina contra o VSR é indicada para gestantes a partir da 28ª semana, ajudando a proteger os bebês nos primeiros meses de vida.
Já a vacina contra a gripe é destinada aos grupos prioritários, como idosos, crianças, gestantes, puérperas e pessoas com comorbidades.
Além da imunização, especialistas recomendam medidas simples para reduzir a transmissão dos vírus, como lavar as mãos com frequência, usar máscara em caso de sintomas gripais, evitar compartilhar objetos pessoais e cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar.
Campo Grande bate recorde de atendimentos
Em Campo Grande, a situação também preocupa. As UPAs atenderam mais de 5,2 mil pessoas com sintomas respiratórios apenas nos últimos sete dias, o maior número registrado neste ano.
Desde abril, a média semanal era de 4,4 mil atendimentos. Na semana anterior, o total havia chegado a 4,8 mil casos. Agora, pela primeira vez em 2026, o número ultrapassou a marca de 5 mil pacientes em apenas uma semana.
A Capital já soma 949 notificações de SRAG neste ano. Somente na última semana, foram 72 novos casos, aumento de 85% em relação ao período anterior.
Entre os vírus identificados, o rinovírus lidera as notificações, com 186 casos confirmados. Em seguida aparecem o VSR, com 148 registros, influenza com 127 e covid-19 com 15 casos.
Mortes por gripe aumentam
Campo Grande também registrou sete mortes por doenças respiratórias entre os dias 17 e 23 de maio. Foi a segunda semana mais grave do ano em número de óbitos por SRAG. No total, a cidade já contabiliza 67 mortes em 2026.
A influenza aparece como a principal causa das mortes confirmadas, seguida pelo rinovírus e pela covid-19.
Vacinação abaixo do ideal
A vacina contra a gripe continua disponível gratuitamente pelo SUS para toda a população a partir dos seis meses de idade. O imunizante aplicado neste ano protege contra três cepas do vírus influenza: H1N1, H3N2 e influenza B.
Apesar disso, a cobertura vacinal em Campo Grande ainda está abaixo do esperado. Até agora, apenas 37,74% do público-alvo foi imunizado.
A Sesau informou que a meta é atingir pelo menos 90% de vacinação entre idosos, gestantes e crianças, principalmente neste período de maior circulação de vírus respiratórios durante o outono e inverno.
A orientação é que a população procure a unidade de saúde mais próxima levando documento pessoal e, se possível, a caderneta de vacinação.
Brasil já soma mais de 70 mil casos
Em todo o país, o Brasil já registrou mais de 70 mil casos de SRAG em 2026. Quase metade dos pacientes teve resultado positivo para algum vírus respiratório, segundo dados do boletim InfoGripe.