A creatina, um dos suplementos mais populares entre atletas e praticantes de atividades físicas, pode não ter o efeito anti-inflamatório que muitos acreditam. É o que aponta uma revisão científica realizada por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que analisou estudos clínicos e concluiu que não há provas consistentes de que a substância reduza a inflamação no organismo.
O trabalho reuniu dados de oito ensaios clínicos considerados de alta qualidade científica. Os resultados mostraram que a suplementação não reduziu de forma significativa marcadores ligados à inflamação crônica, como a proteína C-reativa (PCR) e a interleucina-6 (IL-6).
Segundo os pesquisadores, alguns benefícios foram observados apenas em situações específicas, principalmente entre atletas submetidos a exercícios de resistência extremamente intensos, como corridas de longa distância e provas de triatlo. Nesses casos, a creatina parece ajudar a diminuir a resposta inflamatória provocada pelo esforço físico extremo.
Por outro lado, os mesmos resultados não foram encontrados em idosos nem em pessoas com doenças crônicas, como a osteoartrite. Nessas populações, a suplementação não apresentou impacto relevante sobre os marcadores inflamatórios avaliados.
Os especialistas explicam que a ideia de que a creatina teria ação anti-inflamatória surgiu a partir de pesquisas realizadas em animais e em células de laboratório. No entanto, os efeitos observados nesses estudos não foram confirmados de forma consistente em seres humanos.
A revisão também sugere que a creatina não atua como um anti-inflamatório geral. Seu possível benefício estaria relacionado à proteção das células musculares durante situações de grande desgaste físico, ajudando a reduzir os danos causados por exercícios muito intensos.
Apesar de questionar a fama de anti-inflamatório, o estudo reforça que a creatina continua sendo um suplemento seguro. Nenhum dos trabalhos analisados registrou efeitos adversos importantes, mesmo em protocolos com doses elevadas.
Além disso, os pesquisadores destacam que a creatina segue apresentando benefícios já comprovados, como aumento da força muscular, melhora do desempenho físico e auxílio no ganho de massa muscular.
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Frontiers in Immunology e contaram com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Embora os autores considerem as conclusões relevantes, eles ressaltam que ainda são necessários mais estudos para aprofundar o conhecimento sobre a relação entre creatina e processos inflamatórios no organismo.