A presença de agrotóxicos no Rio Tietê voltou a preocupar especialistas. Um estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com universidades e o Instituto Itaúsa, identificou 25 tipos de agrotóxicos em amostras de água coletadas em 14 pontos ao longo do rio.
As análises apontaram resíduos de herbicidas, fungicidas e inseticidas utilizados principalmente em lavouras de cana-de-açúcar, soja e citros. De acordo com os pesquisadores, parte desses produtos pode ser levada pela chuva até rios e córregos após a aplicação nas plantações.
Entre as substâncias encontradas está a atrazina, herbicida que foi classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2024, como potencialmente cancerígeno. O estudo revelou que, em alguns trechos do Tietê, a concentração desse produto ultrapassou o limite permitido pela legislação brasileira para a qualidade da água.
Outros dois herbicidas, tebutiurom e clomazona, foram detectados em 100% das amostras, sendo as maiores concentrações registradas entre os municípios de Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita, região de forte atividade agrícola.
Mesmo na nascente do Rio Tietê, localizada em Salesópolis e considerada uma área mais preservada, os pesquisadores encontraram resíduos de herbicidas e inseticidas.
Substâncias mais encontradas
Os agrotóxicos com maior frequência nas amostras foram:
- Tebutiurom – 100%;
- Clomazona – 100%;
- Diurom – 92,86%;
- Ciproconazol – 85,71%;
- Hexazinona – 85,71%;
- Atrazina – 85,71%;
- Terbutilazina – 85,71%;
- Acetamiprido – 85,71%.
Possíveis impactos
Segundo os pesquisadores, a presença desses produtos pode causar danos aos peixes e a outros organismos aquáticos, afetando seu desenvolvimento, comportamento e o equilíbrio dos ecossistemas.
O estudo também alerta que a combinação de diferentes agrotóxicos pode aumentar os efeitos negativos sobre o meio ambiente. Outro ponto de preocupação é que parte da água do Médio e Baixo Tietê é utilizada para abastecimento público, enquanto os sistemas convencionais de tratamento nem sempre conseguem eliminar completamente esse tipo de contaminante.
Expedição analisou todo o Rio Tietê
A pesquisa percorreu mais de 1.100 quilômetros do Rio Tietê, da nascente em Salesópolis até a foz no Rio Paraná, entre os dias 9 e 14 de junho de 2025.
Além dos agrotóxicos, os pesquisadores também identificaram microplásticos em todas as amostras e encontraram 16 outras substâncias, incluindo resíduos de medicamentos e drogas ilícitas, como cocaína, reforçando o alerta sobre a qualidade da água do principal rio paulista.