Mais de 4 mil produtos brasileiros podem ser afetados pelas novas tarifas que estão sendo analisadas pelos Estados Unidos. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que acompanha a audiência pública iniciada nesta segunda-feira (6), em Washington.
Segundo a entidade, caso sejam aprovadas as tarifas adicionais de 25% e 12,5%, cerca de 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil serão atingidos. O impacto pode alcançar aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações.
Na prática, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar uma taxação total de até 37,5% para entrar no mercado norte-americano.
A proposta do governo dos Estados Unidos prevê uma tarifa extra de 25% sobre diversos produtos brasileiros, com exceção daqueles classificados como estratégicos para a segurança nacional. Além disso, uma segunda tarifa de 12,5% foi sugerida após uma investigação sobre práticas relacionadas ao combate ao trabalho forçado em quase 90 países, incluindo o Brasil.
De acordo com a CNI, o aumento das tarifas pode prejudicar empresas, consumidores e cadeias produtivas dos dois países, já que muitos produtos brasileiros são importantes para a indústria dos Estados Unidos.
Entre os principais produtos brasileiros que podem ser afetados estão:
- Ferro-gusa não ligado;
- Açúcar de cana em forma sólida;
- Sebo não comestível;
- Álcool etílico não desnaturado;
- Molduras de madeira de pinho;
- Tabaco curado ou processado;
- Peptonas e derivados;
- Compensado de pinus;
- Granito para construção;
- Estacas, postes e trilhos de madeira;
- Hidróxido de alumínio.
Em vários desses itens, o Brasil é um dos principais fornecedores do mercado norte-americano, chegando a responder por quase toda a importação em alguns produtos, como o compensado de pinus.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a medida pode enfraquecer uma relação comercial construída ao longo de décadas e aumentar os custos para empresas e consumidores dos dois países.
A audiência pública segue até esta terça-feira (7). O embaixador brasileiro Roberto Azevêdo representará a CNI nas discussões em Washington. Dos 80 participantes inscritos para a audiência, 66 devem se manifestar contra a adoção das novas tarifas.
A expectativa é que o governo dos Estados Unidos anuncie a decisão final sobre o tema no próximo dia 15 de julho.