A decisão do Senado de retirar o piso salarial de R$ 5 mil para caminhoneiros continua repercutindo entre os profissionais da categoria. A mudança, aprovada na terça-feira (14), gerou opiniões diferentes entre motoristas de Mato Grosso do Sul, principalmente sobre os impactos na remuneração e nos valores dos fretes.
Para alguns caminhoneiros, a criação de um piso salarial poderia trazer mais segurança financeira, especialmente para quem recebe salários mais baixos. Além disso, eles avaliam que um salário maior registrado em carteira pode refletir em benefícios como a aposentadoria.
Já outra parte da categoria acredita que a medida poderia reduzir os ganhos mensais. Segundo esses profissionais, muitas empresas poderiam optar por pagar apenas o salário fixo e acabar reduzindo ou até eliminando as comissões pagas pelos fretes, que hoje representam uma parte importante da renda de muitos motoristas.
Outro ponto levantado pelos caminhoneiros são os custos da rotina nas estradas. Gastos com alimentação, hospedagem e outras despesas fazem com que um salário fixo de R$ 5 mil seja considerado insuficiente por alguns trabalhadores, principalmente para aqueles que atualmente conseguem aumentar a renda por meio das comissões.
O que mudou?
O Senado aprovou a Medida Provisória nº 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, retirando do texto a proposta que previa um piso salarial de R$ 5 mil para caminhoneiros. A exclusão foi solicitada por meio de requerimento apresentado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), que argumentou que o tema não fazia parte do objetivo principal da medida provisória.
Apesar da retirada do piso salarial, a MP mantém outras regras importantes para o setor, como punições para quem descumprir o piso mínimo do frete e a obrigatoriedade do cadastro para operações de transporte terrestre de cargas.
Segundo a senadora, o texto aprovado busca equilibrar os interesses dos caminhoneiros autônomos e das transportadoras, levando em consideração as dificuldades enfrentadas pelo setor e o atual cenário econômico do país.