Terça-feira, 4 de agosto de 2026

Operação contra fraude de R$ 45 milhões na Caixa é vazada e suspeitos conseguem esconder provas

Investigação aponta que servidores da Justiça Federal repassaram informações sigilosas ao grupo criminoso antes da ação da Polícia Federal
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Uma investigação da Polícia Federal que apura o desvio de cerca de R$ 45 milhões de clientes da Caixa Econômica Federal foi comprometida após informações sigilosas sobre a operação serem vazadas aos investigados cerca de um mês antes da ação policial.

De acordo com a apuração, os suspeitos tiveram acesso antecipado à decisão da Justiça Federal que autorizava a operação. Com isso, conseguiram apagar provas e ocultar parte do dinheiro obtido ilegalmente, incluindo valores enviados para um paraíso fiscal.

O caso foi divulgado pelo programa Fantástico, da TV Globo, no domingo (2).

Em nota ao Estadão, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) informou que os servidores investigados foram afastados de suas funções e estão sem acesso aos sistemas judiciais e administrativos. O tribunal também confirmou que um inquérito sigiloso está em andamento para esclarecer o vazamento.

As investigações começaram em 2025 e apontam que a quadrilha invadia contas bancárias para desviar recursos de beneficiários do FGTS e do auxílio emergencial.

Segundo a Polícia Federal, o grupo era dividido em dois núcleos. Jader Henrique Areas de Almeida, no Rio de Janeiro, seria o líder da organização. Em São Paulo, Matheus Casado Natário e Isabely Alves de Sousa seriam responsáveis por obter os dados das vítimas. Já Enzo Grillo Filho atuaria como operador financeiro do esquema.

Até o momento, a reportagem não conseguiu contato com a defesa dos investigados.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que, após receber a informação sobre a operação, Almeida orientou os comparsas a protegerem o patrimônio. Em uma das conversas, ele escreveu: “Que zica, hein… Blindar o patrimônio.”

A investigação também aponta que o vazamento da decisão judicial teria sido feito pelo servidor da Justiça Federal Jackson Cozendey, que, segundo a PF, teria recebido pagamentos para fornecer as informações. A defesa do servidor nega qualquer participação no crime.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi um áudio encontrado durante a apuração. Na gravação, atribuída a Jader Henrique Areas de Almeida, ele faz ameaças contra o delegado responsável pelo caso, sugerindo que o policial fosse morto. O conteúdo faz parte das provas analisadas pela Polícia Federal.

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