Um navio que transporta gás liquefeito de petróleo (GLP) pagou US$ 5,3 milhões, cerca de R$ 27,4 milhões, para conseguir uma passagem antecipada pelo Canal do Panamá. O valor é o maior já registrado em um leilão de horário de travessia da via.
A informação foi confirmada pela administradora do canal, Ilya Espino de Marotta, à agência France Presse (AFP). A identidade da embarcação não foi divulgada.
Segundo informações da Bloomberg, o pagamento teria sido feito pela empresa sul-coreana SK Gas Ltd. para garantir que o navio G. Spirit atravesse o canal em 1º de setembro, antes do início de novas restrições.
Menos navios por dia
A partir de 3 de setembro, o Canal do Panamá passará a permitir a passagem de 34 navios por dia, contra os atuais 36. Em 15 de setembro, o limite será reduzido novamente, chegando a 32 embarcações diárias.
A decisão está relacionada à necessidade de economizar água. O funcionamento das eclusas do canal depende dos reservatórios de Gatún e Alhajuela, abastecidos principalmente pelas chuvas.
A redução dos níveis de água tem sido agravada por períodos de seca e pelos efeitos do fenômeno El Niño.
Horários disputados
A maior parte das embarcações que passam pelo canal utiliza reservas antecipadas. Aproximadamente 90% das travessias são feitas dessa maneira.
Os horários que não são reservados ficam disponíveis para navios que não conseguiram agendar a passagem ou que precisam mudar seus planos devido a situações inesperadas. Esses horários podem ser disputados em leilões, o que explica o valor recorde pago recentemente.
De acordo com Espino de Marotta, os últimos leilões registraram valores acima do normal, com o pagamento de US$ 5,3 milhões sendo o maior já alcançado.
Canal é estratégico para o comércio mundial
Inaugurado para facilitar a navegação entre os oceanos Atlântico e Pacífico, o Canal do Panamá é uma das principais rotas marítimas do planeta.
Estima-se que cerca de 5% do comércio marítimo mundial passe pela via. Por isso, qualquer redução no número de travessias pode aumentar o tempo de espera dos navios e elevar os custos de transporte para empresas de diferentes países.
A falta de água já havia provocado restrições no canal nos últimos anos. O cenário atual volta a chamar atenção para os impactos das secas sobre uma das rotas mais importantes do comércio internacional.