A Santa Casa de Campo Grande informou nesta sexta-feira (11) que está colaborando com as autoridades durante a investigação de possíveis irregularidades em contratos que envolvem valores milionários. A apuração é realizada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
A investigação faz parte da Operação Antidotum, que apura suspeitas de fraudes superiores a R$ 4,9 milhões em contratos relacionados à Santa Casa e à operadora Santa Casa Saúde.
Em nota, o hospital afirmou que está à disposição para prestar informações e esclarecer os fatos que forem solicitados oficialmente. A instituição também declarou que acompanha o trabalho das autoridades e que pretende se posicionar sobre as acusações somente depois de ter acesso ao conteúdo completo dos autos.
Segundo a Santa Casa, apesar da operação, os atendimentos continuam normalmente, sem impactos na assistência prestada aos pacientes.
Contratos estão entre os alvos da investigação
De acordo com informações divulgadas pelo Ministério Público, um dos contratos investigados envolve serviços de digitalização de prontuários. As apurações apontam que teriam sido realizados pagamentos elevados sem a correspondente prestação dos serviços. Nesse contrato, o prejuízo identificado até o momento seria de aproximadamente R$ 1,4 milhão.
A investigação também encontrou suspeitas de irregularidades em contratos firmados pela Santa Casa Saúde com empresas que fariam parte de um mesmo grupo econômico. Conforme o Ministério Público, essas empresas teriam ligações com integrantes da direção da Santa Casa e estariam registradas em um mesmo endereço que, durante as apurações, foi encontrado desocupado.
Somente em 2025, os pagamentos realizados pela operadora a essas empresas teriam chegado a aproximadamente R$ 9,6 milhões, com um prejuízo estimado em R$ 3,5 milhões para a entidade.
Ainda segundo as investigações, documentos relacionados a contratos, pagamentos e prestações de contas não teriam sido apresentados de forma regular aos órgãos responsáveis pela fiscalização, entre eles o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
O escritório da presidente da Santa Casa, a advogada Alir Terra Lima, também foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação. Ela não foi localizada para comentar as acusações.
As investigações continuam, e os valores totais que podem ter sido desviados ainda são mantidos sob sigilo pelas autoridades.