Sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Produção de café mais que dobra em Mato Grosso do Sul, mesmo com redução das lavouras

Estado deve colher 209 toneladas em 2026, alta de 111,1% em relação ao ano passado; aumento da produtividade compensou a diminuição da área plantada
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A produção de café arábica em Mato Grosso do Sul deve registrar um crescimento expressivo em 2026. Segundo levantamento de setembro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quinta-feira (15), a estimativa é de 209 toneladas, mais que o dobro das 99 toneladas produzidas em 2025.

O resultado chama a atenção porque o aumento da produção ocorreu mesmo com a redução da área cultivada. O espaço destinado ao café passou de 158 hectares no ano passado para 154 hectares neste ano, uma queda de 2,5%.

Produtividade impulsiona crescimento

O principal motivo para o avanço foi o aumento da produtividade das lavouras. De acordo com o IBGE, o rendimento médio passou de 627 quilos por hectare, em 2025, para 1.357 quilos por hectare em 2026, uma alta de 116,4%.

Na prática, isso significa que as áreas cultivadas estão produzindo mais café por hectare, compensando a diminuição da área plantada e elevando o volume total da safra estadual.

Participação de MS ainda é pequena no cenário nacional

Apesar do crescimento, Mato Grosso do Sul continua tendo uma participação reduzida na produção brasileira de café arábica.

A estimativa nacional é de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas em 2026, com Minas Gerais concentrando a maior parcela da produção, cerca de 73,4% do total.

As 209 toneladas previstas para Mato Grosso do Sul correspondem a aproximadamente 3,5 mil sacas de 60 quilos, uma parcela inferior a 0,01% da produção brasileira da variedade.

Mesmo com o volume ainda limitado, o crescimento coloca o Estado entre as unidades da Federação com expectativa de aumento na produção de café arábica neste ano.

Clima e investimentos influenciam a safra

No cenário nacional, as perspectivas positivas para o café arábica estão relacionadas às condições climáticas em regiões produtoras e ao ciclo conhecido como bienalidade positiva.

Esse fenômeno é caracterizado pela alternância natural entre anos de maior e menor produção. Em períodos de bienalidade positiva, as plantas tendem a apresentar maior rendimento.

Outro fator que pode contribuir para o desenvolvimento da atividade é a rentabilidade do setor. Preços favoráveis podem estimular investimentos em tecnologia, adubação e correção do solo, medidas que ajudam a melhorar a produtividade das lavouras.

Com a produção mais que dobrando em um ano, Mato Grosso do Sul registra avanço no cultivo de café arábica. O desafio será manter os ganhos de produtividade e ampliar a eficiência das lavouras nos próximos ciclos.

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