Domingo, 7 de dezembro de 2025

Abin aponta riscos para 2026: eleições e ataques com inteligência artificial preocupam

Relatório da agência lista ameaças digitais, clima extremo e dependência tecnológica como desafios para o Brasil no próximo ano
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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgou um relatório que antecipa os principais riscos para o Brasil em 2026. Entre as maiores preocupações estão a segurança nas eleições gerais e o aumento de ataques cibernéticos, especialmente aqueles impulsionados por inteligência artificial (IA).

O documento “Desafios de Inteligência – Edição 2026” reúne análises de especialistas e instituições de pesquisa para orientar o governo na formulação de políticas e na proteção de informações estratégicas.

Eleições sob risco

Segundo a Abin, o processo eleitoral de 2026 pode enfrentar ameaças “complexas”, como tentativas de deslegitimar as instituições democráticas, disseminação de desinformação e influência de grupos criminosos em regiões sob seu controle. A agência lembra que ações semelhantes ocorreram antes dos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Há também alerta para o risco de interferências externas que possam tentar influenciar o pleito por motivos geopolíticos.

Ataques cibernéticos e avanço da IA

O relatório aponta que a evolução rápida da inteligência artificial aumentará a capacidade de ataques digitais autônomos, capazes de planejar e executar invasões de forma independente.

A Abin afirma que o Brasil precisa acelerar a transição para tecnologias de criptografia pós-quântica, já que a computação quântica poderá tornar obsoleto o sistema atual dentro de alguns anos.

A dependência de infraestrutura digital estrangeira, especialmente de big techs, é vista como um ponto de vulnerabilidade nacional.

Cadeias de suprimentos e pressões globais

A agência também chama atenção para mudanças nas cadeias globais de suprimentos, influenciadas por disputas entre China e Estados Unidos, pela desglobalização e pela pandemia.

Segundo o relatório, o Brasil se encontra em posição de “dependência dupla”:

  • da China, nas exportações de commodities;

  • e dos EUA e Europa, em investimentos e tecnologias estratégicas.

Clima, energia e segurança alimentar

A Abin reforça que o aquecimento global segue em ritmo acelerado e cita 2024 como o ano mais quente já registrado. Eventos extremos, como secas e enchentes, têm aumentado e gerado prejuízos bilionários.

A redução dos “rios voadores” da Amazônia coloca em risco a produção energética e a segurança hídrica do país. Há também previsão de que pragas agrícolas se tornem mais frequentes, ameaçando a produção de alimentos.

Mudanças demográficas e migração

O relatório destaca o envelhecimento da população e a queda da taxa de natalidade. A saída de profissionais brasileiros para o exterior e o aumento da imigração também exigem atenção, especialmente em áreas de segurança, serviços públicos e fronteiras.

Disputas na América do Sul

A Abin aponta que a América do Sul se tornou um espaço estratégico para a disputa entre potências globais, devido a recursos como lítio, petróleo e biodiversidade amazônica. A China e os Estados Unidos intensificam suas influências na região. (Agência Brasil).

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