Um acordo firmado entre a União e a empresa Araupel vai garantir terra para cerca de 3 mil famílias em assentamentos no Paraná. A medida encerra o maior e mais antigo conflito fundiário da região Sul, que se arrastava há décadas.
Ao todo, quase 60 mil hectares serão destinados à reforma agrária, beneficiando mais de 10 mil agricultores em municípios como Rio Bonito do Iguaçu, Quedas do Iguaçu, Laranjeiras do Sul, Espigão Alto do Iguaçu e Nova Laranjeiras.
A área estava ocupada há cerca de 30 anos por famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Pelo acordo, a União vai pagar R$ 584 milhões em indenizações, por meio de precatórios federais.
Fim de décadas de incerteza
Segundo representantes das comunidades, o acordo garante dignidade às famílias que vivem na região. Com a regularização, os assentados passam a ter acesso a crédito rural, financiamento da produção, escolas, cooperativas e agroindústrias, fortalecendo a agricultura familiar.
Atualmente, mil famílias já vivem nos assentamentos e terão a situação regularizada definitivamente. Outras duas mil famílias, que ainda estão em acampamentos, serão integradas aos novos projetos.
Marco para a reforma agrária
De acordo com o Incra e a Procuradoria da União, parte das terras reconhecidas no acordo já era considerada pública, sem necessidade de indenização. Outras áreas foram adquiridas para ampliar o alcance da reforma agrária.
Para os órgãos envolvidos, o acordo representa um avanço histórico, ao encerrar um conflito de mais de 20 anos e permitir que milhares de famílias tenham acesso à terra, produção sustentável e melhores condições de vida.
Os assentamentos beneficiados são Dom Tomás Balduíno, Celso Furtado, Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio e Dez de Maio. (Agência Brasil).