Terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Mulheres negras realizam marcha em Brasília por reparação e bem-viver

Mobilização deve reunir 1 milhão de participantes na Esplanada dos Ministérios
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Caravanas de vários estados chegam nesta terça-feira (25) a Brasília para a 2ª Marcha das Mulheres Negras, que traz o tema “Por Reparação e Bem Viver”. A expectativa dos organizadores é reunir 1 milhão de pessoas na Esplanada dos Ministérios.

O movimento, articulado pelo Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras, defende direitos básicos como moradia, trabalho, segurança e políticas de reparação histórica. Também cobra uma vida digna, livre de violência e desigualdades.

A mobilização faz parte da Semana por Reparação e Bem-Viver, que acontece de 20 a 26 de novembro na capital federal, com debates, atividades e apresentações culturais.

Segundo ato nacional

A marcha acontece no mês da Consciência Negra e marca os dez anos da primeira edição, realizada em 2015, que reuniu mais de 100 mil mulheres em Brasília para denunciar o racismo, o feminicídio e a violência contra a juventude negra.

Em 2025, o foco é reforçar a luta por mobilidade social e enfrentar os efeitos da escravidão, que ainda geram obstáculos econômicos e sociais para a população negra.

Programação

A concentração começou às 9h no Museu da República, com roda de capoeira e cortejo de berimbaus. No mesmo horário, o Congresso Nacional realizou uma sessão solene em homenagem à marcha.

A caminhada pela Esplanada dos Ministérios está prevista para iniciar por volta das 11h. À tarde, a partir das 16h, acontecem apresentações musicais de artistas que trabalham temas ligados ao feminismo negro, antirracismo e cultura afro-brasileira.

Participação internacional

Esta edição também reforça a presença de mulheres negras da diáspora e do continente africano. Lideranças afro-equatorianas participam do evento para fortalecer a articulação global e dar visibilidade às lutas de mulheres afrolatinas e caribenhas.

Homenagem a Lélia Gonzalez

A marcha também contará com a presença de Melina de Lima, neta da antropóloga e ativista Lélia Gonzalez, uma das principais referências do feminismo negro no Brasil. Ela recebeu recentemente, em nome da avó, o título de Doutora Honoris Causa da UnB.

Lélia foi fundadora do Movimento Negro Unificado e criou conceitos importantes como “amefricanidade” e “pretuguês”, que discutem identidade cultural e as influências africanas no português brasileiro.

Maior grupo populacional do país

Segundo o Ministério da Igualdade Racial, o Brasil tem 60,6 milhões de meninas e mulheres negras, representando cerca de 28% da população. Esse é o maior grupo demográfico do país.

A programação completa da marcha e da semana de atividades segue até quarta-feira (26).

(Agência Brasil).

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