A arrecadação de Mato Grosso do Sul aumentou ao longo de 2025, mas esse crescimento não foi suficiente para aliviar as contas públicas. De janeiro a outubro, o Estado registrou déficit operacional e terminou o período com menor folga fiscal.
Os dados estão no Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO), publicado no Diário Oficial. O documento mostra que, apesar da boa performance da receita, as despesas continuam avançando em ritmo parecido — porém em valores maiores.
Receita cresce, mas não cobre gastos
Nos dez primeiros meses do ano, MS arrecadou R$ 21,84 bilhões, o equivalente a 78,58% do total previsto para 2025. Já as despesas somaram R$ 22,04 bilhões, cerca de 74,61% do valor autorizado.
A diferença entre o que entrou e o que foi gasto gerou um déficit de R$ 203,6 milhões, coberto com recursos de anos anteriores. Mesmo assim, o orçamento já previa esse desequilíbrio: a diferença entre a receita total projetada e a despesa autorizada é de R$ 1,75 bilhão.
Na prática, isso mostra que o Estado depende de reservas para fechar as contas, o que reduz a margem fiscal para o ano seguinte.
O que sustenta a arrecadação
O ICMS continua sendo a principal fonte de receita, impulsionado pelo agronegócio, exportações e indústria — sobretudo setores ligados à proteína vegetal e animal. Comércio e serviços também ajudaram a manter o caixa estadual.
As transferências da União, como fundos de participação, complementaram o desempenho, mas não foram suficientes para criar folga financeira.
Despesas seguem pressionando
As despesas primárias — saúde, educação, segurança e previdência — continuam sendo o maior peso no orçamento. O gasto previdenciário, em especial, cresce ano após ano devido ao aumento de aposentados e pensionistas.
Outros fatores também pressionam os gastos, como:
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reajustes salariais;
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despesas de custeio;
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repasses obrigatórios a municípios.
Com gastos obrigatórios elevados, o Estado tem menos espaço para investir e reagir a oscilações da arrecadação.
Resultado primário preocupa
O resultado primário de MS ficou negativo em R$ 777,1 milhões até outubro — mais que o limite previsto na LDO, de R$ 366,2 milhões. O indicador mostra que o Estado gastou mais do que arrecadou apenas para manter serviços essenciais.
Além disso, a queda na arrecadação do gás natural deve retirar cerca de R$ 600 milhões das receitas deste ano.
O que esperar para o fim do ano
O governo já adotou medidas para conter despesas, como revisão de contratos, redução de gastos administrativos e contenção de novas contratações. As secretarias também foram orientadas a priorizar apenas serviços essenciais.
Apesar de novembro e dezembro tradicionalmente reforçarem a arrecadação — impulsionados pelo comércio e tributos concentrados no fim do ano —, a tendência é que o reforço não seja suficiente para reverter os desequilíbrios acumulados.
Com isso, o Estado entra em 2026 com o desafio de administrar uma estrutura de gastos rígida e receita que cresce, mas não na velocidade necessária para aliviar as contas. Fonte: correiodoestado.com.br