A crise financeira da Santa Casa de Campo Grande ganhou novos números após uma auditoria apresentada pelo Governo de Mato Grosso do Sul. O levantamento aponta que as dívidas do hospital chegaram a R$ 792,6 milhões em 2025, enquanto os gastos com diretoria, escritórios e outras despesas administrativas cresceram de forma significativa.
Em uma decisão recente, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) manteve suspenso o repasse de R$ 126 milhões solicitado pela Santa Casa. O valor está relacionado a uma ação na qual o hospital pede o aumento do repasse mensal do convênio, que atualmente é de R$ 32,7 milhões e passaria para R$ 45,9 milhões.
Dívida aumentou mesmo com crescimento dos repasses
De acordo com a auditoria apresentada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MS), os recursos públicos destinados à Santa Casa por meio do SUS aumentaram nos últimos anos.
Em 2022, foram repassados R$ 344,6 milhões. Em 2025, o valor chegou a R$ 438,7 milhões.
Apesar do aumento dos recursos, o passivo do hospital também cresceu. A dívida passou de R$ 555,7 milhões em 2023 para R$ 792,6 milhões em 2025, uma alta de aproximadamente 42%.
O levantamento aponta ainda que o passivo é mais de quatro vezes superior ao patrimônio da instituição, estimado em R$ 170,2 milhões.
Gastos administrativos chamam atenção
Outro ponto destacado na auditoria foi o aumento das despesas que não estão diretamente relacionadas ao atendimento dos pacientes.
Os gastos com escritórios, diretoria e taxas cresceram 155%, chegando a R$ 198,1 milhões. Segundo os dados apresentados pelo Estado, essas despesas representam cerca de 37% da receita total do hospital.
Diante dos números, o Governo de Mato Grosso do Sul sustenta que a atual situação financeira da Santa Casa não estaria relacionada apenas ao volume de recursos públicos recebidos, mas também ao aumento das despesas e a problemas de gestão.
Repasse de R$ 126 milhões continua suspenso
Com a decisão do TJMS, a Santa Casa não receberá, neste momento, os R$ 126 milhões que havia solicitado de forma imediata. O hospital terá de aguardar o andamento do processo judicial para tentar obter o pagamento.
A instituição vive uma das maiores crises financeiras de sua história, enquanto a discussão sobre o valor dos repasses e a administração dos recursos continua sendo analisada pela Justiça.