A carne brasileira pode enfrentar dificuldades para continuar sendo exportada para a União Europeia. Representantes do setor afirmam que as novas exigências do bloco europeu sobre o uso de antimicrobianos na criação de animais são difíceis de atender dentro do prazo estabelecido.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, explicou que o Ministério da Agricultura está discutindo alternativas com produtores e frigoríficos para buscar uma solução. Segundo ele, a adaptação da cadeia produtiva pode levar cerca de dois anos e meio, o que torna improvável o cumprimento das regras até a data prevista.
Os antimicrobianos são medicamentos usados para prevenir e tratar infecções em animais. Na Europa, o uso dessas substâncias é controlado de forma mais rígida, principalmente quando utilizadas para estimular o crescimento dos rebanhos.
Em junho, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal que atendem às normas do bloco. Com isso, a partir de 3 de setembro, carnes bovina, de frango e de cavalo, além de pescado, mel e tripas, deixam de ser exportadas para os países europeus.
De acordo com a Comissão Europeia, a decisão foi tomada porque o Brasil não apresentou todas as informações exigidas para comprovar que sua produção segue as regras sobre o uso de antimicrobianos.
Apesar de representar cerca de 5% das exportações brasileiras de carne, o mercado europeu é considerado estratégico por comprar cortes de maior valor agregado. Enquanto isso, Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a vender seus produtos para a União Europeia.
Além das restrições da Europa, o setor também enfrenta barreiras na China. Desde o início de 2026, o país passou a adotar cotas de importação e cobrar uma sobretaxa de 55% sobre os embarques brasileiros que ultrapassarem o limite anual permitido.
Segundo a Abiec, essas medidas já começam a afetar a indústria, com frigoríficos reduzindo o ritmo de produção e adotando férias coletivas em algumas unidades. O setor afirma que a queda na demanda internacional tem pressionado as margens de lucro.
Em relação ao consumidor brasileiro, a expectativa é de que o preço da carne permaneça estável no curto prazo. No entanto, caso as dificuldades nas exportações continuem e os custos de produção aumentem, novos reajustes poderão ocorrer nos próximos meses.