Quinta-feira, 16 de julho de 2026

Carne brasileira pode perder espaço na Europa por novas regras sobre medicamentos em animais

Exportadores alertam que exigências da União Europeia são difíceis de cumprir no curto prazo, enquanto setor também enfrenta restrições da China.
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A carne brasileira pode enfrentar dificuldades para continuar sendo exportada para a União Europeia. Representantes do setor afirmam que as novas exigências do bloco europeu sobre o uso de antimicrobianos na criação de animais são difíceis de atender dentro do prazo estabelecido.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, explicou que o Ministério da Agricultura está discutindo alternativas com produtores e frigoríficos para buscar uma solução. Segundo ele, a adaptação da cadeia produtiva pode levar cerca de dois anos e meio, o que torna improvável o cumprimento das regras até a data prevista.

Os antimicrobianos são medicamentos usados para prevenir e tratar infecções em animais. Na Europa, o uso dessas substâncias é controlado de forma mais rígida, principalmente quando utilizadas para estimular o crescimento dos rebanhos.

Em junho, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal que atendem às normas do bloco. Com isso, a partir de 3 de setembro, carnes bovina, de frango e de cavalo, além de pescado, mel e tripas, deixam de ser exportadas para os países europeus.

De acordo com a Comissão Europeia, a decisão foi tomada porque o Brasil não apresentou todas as informações exigidas para comprovar que sua produção segue as regras sobre o uso de antimicrobianos.

Apesar de representar cerca de 5% das exportações brasileiras de carne, o mercado europeu é considerado estratégico por comprar cortes de maior valor agregado. Enquanto isso, Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a vender seus produtos para a União Europeia.

Além das restrições da Europa, o setor também enfrenta barreiras na China. Desde o início de 2026, o país passou a adotar cotas de importação e cobrar uma sobretaxa de 55% sobre os embarques brasileiros que ultrapassarem o limite anual permitido.

Segundo a Abiec, essas medidas já começam a afetar a indústria, com frigoríficos reduzindo o ritmo de produção e adotando férias coletivas em algumas unidades. O setor afirma que a queda na demanda internacional tem pressionado as margens de lucro.

Em relação ao consumidor brasileiro, a expectativa é de que o preço da carne permaneça estável no curto prazo. No entanto, caso as dificuldades nas exportações continuem e os custos de produção aumentem, novos reajustes poderão ocorrer nos próximos meses.

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