A busca por uma irrigação mais eficiente está levando a tecnologia a observar um detalhe que parece pequeno, mas faz toda a diferença no campo: a gota d’água.
A empresa austríaca Komet Irrigation inaugurou no Brasil um laboratório voltado ao estudo do comportamento das gotas de água durante a irrigação. O objetivo é reduzir perdas causadas pelo vento, evaporação e desgaste dos equipamentos, aumentando a eficiência no uso da água nas lavouras.
Os estudos analisam o trajeto que a água percorre desde a saída do aspersor até atingir o solo. Apesar de durar apenas alguns segundos, esse percurso é considerado decisivo para o aproveitamento da irrigação.
Segundo os pesquisadores, gotas muito pequenas podem evaporar ou ser carregadas pelo vento antes de chegar ao solo. Já gotas maiores atingem a terra mais rapidamente, mas podem comprometer a distribuição uniforme da água. O desafio é encontrar o equilíbrio ideal para garantir produtividade e economia.
O laboratório conta com equipamentos capazes de medir a quantidade de água que realmente chega à área irrigada, avaliar a uniformidade da distribuição e identificar o tamanho das gotas produzidas por cada modelo de aspersor.
Os primeiros levantamentos mostram que equipamentos em boas condições podem perder cerca de 5% da água por evaporação. Já aspersores desgastados podem desperdiçar mais de 20%.
Além disso, a empresa também estuda como o desgaste dos equipamentos afeta o desempenho ao longo dos anos. Para acelerar as análises, uma câmara especial simula vários anos de uso em um período reduzido.
As informações coletadas servirão de base para o desenvolvimento de uma nova geração de aspersores inteligentes. A ideia é que sensores instalados nos equipamentos monitorem o desempenho em tempo real e avisem o produtor quando houver queda na eficiência da irrigação.
A expectativa da Komet Irrigation é concluir os primeiros protótipos ainda este ano e iniciar a comercialização da tecnologia em 2027.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 40 mil pivôs centrais em operação e instala aproximadamente 2 mil novos sistemas por ano. Para a empresa, grande parte desse mercado poderá ser modernizada com a adoção das novas tecnologias.
O laboratório recebeu investimento de R$ 2 milhões e reforça a importância do Brasil nas operações globais da companhia. Hoje, o país representa cerca de 23% do faturamento mundial da Komet e se tornou um dos principais centros de pesquisa da empresa para tecnologias de irrigação em ambientes tropicais.