A morte do cachorro comunitário conhecido como Orelha, na Praia Brava, em Santa Catarina, gerou comoção em todo o país. O animal foi brutalmente agredido por quatro adolescentes no dia 4 de janeiro e, devido à gravidade dos ferimentos, precisou ser submetido à eutanásia no dia seguinte.
Orelha vivia na região há cerca de 10 anos e era cuidado por moradores e comerciantes locais.
Investigações
Diante da repercussão do caso, a Polícia Civil de Santa Catarina instaurou investigação e, no dia 26 de janeiro, deflagrou uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos celulares e outros dispositivos eletrônicos dos adolescentes e de adultos ligados a eles.
Até o momento, mais de 20 pessoas foram ouvidas e a polícia analisou 72 horas de imagens de câmeras de segurança públicas e privadas.
Coação de testemunhas
Familiares dos adolescentes são suspeitos de coagir testemunhas e atrapalhar as investigações. Segundo a polícia, entre os adultos investigados há dois empresários e um advogado. Eles já foram indiciados pelo crime de coação.
Situação dos adolescentes
Dois dos adolescentes envolvidos estão nos Estados Unidos, em uma viagem previamente programada. Não há, até agora, prisões relacionadas ao caso.
Apesar de serem menores de idade, os adolescentes podem ser responsabilizados por meio de medidas socioeducativas, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Outro caso
As autoridades também apuram uma segunda agressão, desta vez contra um cachorro chamado Caramelo, que conseguiu fugir.
Cão comunitário
Orelha era considerado um cão comunitário, ou seja, não tinha um tutor específico, mas era cuidado coletivamente pela comunidade. Após o caso, Santa Catarina aprovou a Lei nº 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento de Cães e Gatos Comunitários. ( Agência Brasil).