A menos de um ano das eleições, o campo da esquerda em Mato Grosso do Sul ainda não conseguiu apresentar uma estratégia clara nem consolidar nomes competitivos para as disputas majoritárias de 2026, especialmente para o Senado, onde duas vagas estarão em jogo. O cenário abre caminho para que direita e centro-direita sigam dominando o tabuleiro eleitoral no Estado.
Pesquisas recentes reforçam essa leitura e indicam que a falta de definição pode custar caro ao campo progressista.
Disputa fragmentada e liderança da direita
Levantamento Correio do Estado/IPR, realizado entre os dias 1º e 6 de dezembro de 2025, com 1.700 entrevistas nas 12 maiores cidades do Estado (margem de erro de 2,5 pontos percentuais e 95% de confiança), aponta o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) na liderança dentro da margem de erro, com 17,76% das intenções de voto em cenários com múltiplos nomes.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), aparece tecnicamente empatada com Capitão Contar (PL) e Nelsinho Trad (PSD), desempenho considerado modesto, sobretudo para quem ocupa um dos cargos mais estratégicos do governo Lula. Já Soraya Thronicke surge em posições inferiores e, neste momento, não enfrenta risco imediato de ficar fora do grupo principal.
No recorte específico de Campo Grande, considerando apenas o primeiro voto para o Senado, os números mostram Nelsinho Trad com 23,36%, seguido por Capitão Contar (18,76%), Reinaldo Azambuja (17,88%) e Simone Tebet (15,04%). O índice de 7,26% de indecisos indica que boa parte do eleitorado já tem preferência definida para a primeira escolha.
Nomes da esquerda, como o petista Vander Loubet, não foram incluídos na pesquisa em razão das indefinições sobre candidaturas.
Histórico eleitoral desfavorável
O desempenho recente da esquerda ajuda a explicar o cenário atual. Em 2022, o candidato do PT ao Senado, Tiago Botelho, obteve cerca de 13% dos votos, ficando muito distante da eleita Tereza Cristina (PP), que superou os 60%.
Já em 2018, candidaturas alinhadas ao campo progressista tiveram votações relevantes apenas em disputas proporcionais, sem conseguir competir de forma efetiva nas eleições majoritárias.
O histórico mostra que, embora mantenha uma base consistente de eleitores, a esquerda enfrenta dificuldades estruturais para rivalizar com candidaturas de centro e direita em Mato Grosso do Sul.
Os entraves: nomes, unidade e narrativa
Analistas ouvidos pelo Correio do Estado apontam três obstáculos centrais: indefinição de candidaturas, fragmentação interna e fragilidade de narrativa.
A principal incógnita é Simone Tebet, que ainda não confirmou se disputará o Senado. A incerteza mantém aliados e eleitores em suspenso e dificulta a organização do campo progressista.
Ao mesmo tempo, a esquerda se divide entre setores que defendem uma aproximação com o governador Eduardo Riedel, a permanência de Simone no MDB e a movimentação de Vander Loubet, que se apresenta como pré-candidato e afirma estar preparado para disputar uma eleição majoritária.
Enquanto isso, partidos como PL, PP e PSD ocupam espaço, apostando em nomes que já exerceram cargos relevantes e exploram o discurso de experiência administrativa.
Riscos para 2026
Mais do que definir nomes, a esquerda terá de construir uma estratégia unificada, oferecer um palanque competitivo ao presidente Lula no Estado e formular uma narrativa capaz de dialogar com o eleitorado majoritário sul-mato-grossense.
A indefinição também preocupa o governo federal, já que Mato Grosso do Sul pode eleger dois senadores e influenciar o equilíbrio de forças no Congresso, impactando votações sensíveis e a relação institucional com o STF.
Saiba
Pré-candidatos ao Senado
• Esquerda: Simone Tebet (MDB) e Vander Loubet (PT)
• Direita e centro-direita: Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL), Nelsinho Trad (PSD), Gerson Claro (PP) e Jaime Verruck (PP) (correiodoestado.com.br)>
